Neste regresso às aulas, propomos uma reflexão sobre novas perspectivas educativas.
Observamos que, cada vez mais, as crianças expressam a sua agressividade, tal como a aprendem no seu dia-a-dia, e que os limites impostos pelos professores são sistematicamente questionados por alunos e pais, nunca tendo havido registo de tantos casos de insucesso escolar, associados às mais diversas alterações psicossociais.
Tenhamos esperança no conhecimento e na evolução, que nos aponta novos caminhos a explorar no terreno educativo, onde todos (pais, professores, comunidade e, claro, as crianças e jovens) temos de nos unir e participar construtivamente.
Jean Ayres, psicóloga educacional e terapeuta ocupacional, sistematizou, desde a década de 70, as suas observações sobre o comportamento das crianças que, sem apresentarem uma patologia, apresentavam insucesso escolar e pessoal, dando corpo à Teoria da Integração Sensorial. Esta psicóloga trabalhou com crianças que não reagiam adequadamente nem à Disciplina, nem ao Amor, apresentando, segundo esta teoria, alterações sensoriais sérias, responsáveis por lhes comprometer a capacidade de adequar o comportamento à situação e por lhes limitar a aprendizagem do ser.
No mesmo sentido, o psicólogo Saúl Lopes (2006) refere que são os nossos sentidos que fornecem ao cérebro a informação acerca do nosso corpo e do meio que nos rodeia, o que equivale a dizer que as sensações são o alimento do nosso sistema nervoso e que sem um adequado fluxo de diferentes sensações a criança não pode desenvolver-se adequadamente.
Em suma, os sentidos são um alimento indispensável para o desenvolvimento dos seus filhos!
Não se esqueça disso e tome nota dalguns princípios básicos:
> Use todos os sentidos
Não esqueça que o toque e o movimento são tão importantes como a audição e a visão, por isso promova aprendizagens que envolvam estímulos tácteis, especialmente o contacto físico, e que requeiram diferentes posições corporais.
> Esteja atento às reacções da criança durante a actividade
Todos nós temos necessidades sensoriais diferentes. É essencial reconhecer e respeitar essas diferenças.
> Procure as pistas que a criança está a dar
A procura de movimento, de toque, de cheiro, de luz ou de som poderá ser uma pista sobre o tipo de sensação que a criança está a precisar.
> Envolva a criança nas actividades
> Providencie a ajuda necessária para que a criança realize a actividade com sucesso
O sucesso reforça as ligações cerebrais e promove a aprendizagem.
Informação da responsabilidade da psicóloga Maria Vitor Lourenço
Bibliografia: Lopes, S. M (2006) Aprender com todos os sentidos. São Brás Acontece: Câmara Municipal de São Brás.