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Um olhar sobre o passado de São Brás de Alportel

O território que actualmente é ocupado pelo concelho de São Brás de Alportel esconde a História de muitos milhares de anos.

A ocupação humana no Concelho de São Brás de Alportel ascende à Pré–História (desde o Paleolítico), como atestam diversos achados, tais como lascas de sílex, quartzo e quartzito, um brunidor de xisto negro e um seixo em xisto jaspóide que parece ter desenhado numa das superfícies um bovídeo e, na outra, um cavalo (arte móvel).

No que se refere à Proto-História, o desconhecimento é ainda total. Os períodos históricos mais representados e, por isso, mais estudados são o romano e o medieval islâmico.

 

Asa de Sítula, em bronze, Tipo I (Delgado, 1975), séc. IVNa época Romana

A presença Romana ficou testemunhada, neste território, por diversos vestígios que nos apontam para a existência de possíveis necrópoles, casais agrícolas, uma villa, uma mutatio (estação de muda de animais e carros para viajantes) e as calçadas que integravam a antiga rede viária romana. Esses sítios foram identificados pela presença de fragmentos de cerâmica fina (campaniense e terra sigillata), comum, de armazenamento (ânforas e dolia) e de construção (tegulae, ímbrices, tijolos) e de iluminação (lucernas), bem como pela descoberta de um mascarão de asa de sítula (pega de panela) e de sepulturas com espólio associado, cuja cronologia mais antiga remete para o século II/I a.C. prolongando-se até ao IV–V d.C.
(PEREIRA, 2002b:2).

De salientar ainda os dois monumentos funerários, em forma de ara, em que um deles (IRPC 64) apresenta, além da inscrição a Cecília Marina, uma decoração em relevo nas quatro faces considerada nica no Conventus Pacensis (ENCARNAÇÃO, 1984: 112-113).

 

Na época Islâmica

Amuleto com inscrição religiosa, séc. XI/XIIA ocupação Islâmica está atestada através de fontes documentais (séculos XI-XIII) (KHAWLI, 2007: 22) e de sítios arqueológicos com uma ocupação cronológica compreendida entre os períodos Califal (séculos X-XI) e Almóada (séculos XII-XIII), designadamente alcarias e pequenos povoados agrícolas, alguns localizados junto de vias calcetadas (PEREIRA, 2004a).
Esses sítios foram identificados pela presença de artefactos cerâmicos: louça de mesa (decoradas a “corda seca” e vidrados melados com decoração a manganês), de cozinha (panelas e alguidares), de armazenamento (cântaros, talhas) e de construção (telhas digitadas); e ainda por artefactos metálicos: tais como dois amuletos (objectos profilácticos) que contêm inscrições religiosas (séculos XI-XII e XII-XIII), e um conjunto de moedas que integra um dinar (moeda em ouro).
Desde a época romana (século II/I a.C.) até à fundação do concelho, em 1914 (século XX) São Brás de Alportel pertenceu ao termo da cidade de Faro (Ossonoba), motivo pelo qual a sua história mantém, ao longo de todos estes séculos, uma estreita relação com a dessa cidade.
Contudo, pouco se sabe da história do actual concelho de São Brás de Alportel no período que medeia entre 1249/50 (2ª metade do século XIII - última conquista do Algarve) e 1517 (inícios do século XVI - Visitação da Ordem de Santiago).

 

Na época Moderna

No século XV, São Brás de Alportel seria um lugar com uma simples ermida. Este pequeno templo situava-se junto à antiga via de origem romana – a actual “Calçadinha” – que fazia a ligação, no termo de Faro, entre esta localidade e as terras do Norte. As poucas notícias conhecidas são, em regra, muito tardias.

Em meados do século XVI, à semelhança do que aconteceu em diversas localidades algarvias, São Brás de Alportel foi elevada a sede de freguesia e, consequentemente, reconstruído um novo templo e mais amplo.

Entre os séculos XVII e XVIII, na sequência da transferência da sede de bispado de Silves para Faro (1581), o então Bispo do Algarve mandou construir aqui o Palácio Episcopal.

 

Na época Contemporânea

Durante o século XIX, a freguesia tornou-se um importante centro económico. As plantações de sobreiros incentivaram o desenvolvimento comercial e fizeram de São Brás de Alportel o maior centro produtor de cortiça de Portugal.

No início do século XX (1912), São Brás de Alportel era a maior freguesia do concelho de Faro, contando cerca de 12.500 habitantes. A expansão económica e populacional da freguesia constituiu um factor decisivo para a sua elevação a concelho.

João Rosa Beatriz nasceu em São Brás de Alportel, em 1881, foi republicano e defensor da criação do município de São Brás de Alportel.O movimento em defesa da autonomia de São Brás de Alportel surgira no início do século XX, motivado pelo crescimento económico da aldeia. É a Comissão Paroquial Republicana quem assume a organização do movimento, que ganha força a partir de 1910, pois são mais favoráveis as condições políticas e encontram-se no governo os velhos correligionários da propaganda republicana, conhecidos de João Rosa Beatriz.

São muitas as barreiras que se levantam às pretensões dos republicanos são-brasenses. João Rosa Beatriz deslocou-se a Lisboa por diversas vezes, solicitando o apoio de várias personalidades que se revelaram decisivas para a concretização daquele desejo.

Em Dezembro de 1912, o seu chefe revolucionário Machado Santos apresenta, na Câmara de Deputados, o projecto de lei que outorga a autonomia administrativa da então freguesia mais populosa do concelho de Faro.

Pelo esforço e diligência de João Rosa Beatriz, o projecto de lei foi aprovado e publicado em Diário do Governo, a 1 de Junho de 1914, elevando a Concelho a freguesia de São Brás, com a denominação de Alportel e com sede na aldeia de São Brás. Tornava-se realidade o sonho de quantos esperavam há muito o alvorecer do dia em que a aldeia de São Brás de Alportel seria elevada a concelho.

No percurso dos acontecimentos, foi criada então uma Comissão Administrativa provisória, presidida por Virgílio de Passos. Para instalar o novo Município, e após acesas lutas, foi autorizada, no dia 5 de Setembro, a cedência à Câmara de Alportel do Paço Episcopal e respectiva cerca e Residência paroquial, para ali funcionarem as escolas oficiais do ensino
primário e as repartições públicas, municipais e do Estado.

No dia 14 de Outubro daquele ano, João Rosa Beatriz foi nomeado, pelo Governador Civil de Faro, para o cargo de administrador interino do concelho (cargo equivalente ao que hoje conhecemos como Presidente da Câmara), estabelecendo como prioridades a educação pública, a segurança e a manutenção da ordem pública, bem como as acessibilidades à vila de São Brás de Alportel.

A 8 de Novembro, foi eleita a primeira Comissão Municipal de São Brás de Alportel, sendo José Pereira da Machada, o presidente do Senado.
Pouco tempo depois, uma súbita mudança política alterou o rumo dos acontecimentos. O governo democrático nomeara um novo Governador Civil para o distrito de Faro, o qual, por sua vez, exonerou João Rosa Beatriz do seu cargo, substituindo-o pelo Dr. José Baptista Dias Gomes.
Destituído do seu cargo, João Rosa Beatriz não deixa de professar os seus ideais e o seu amor à terra onde nasceu, lutando ainda por vários benefícios para o seu concelho: a instalação de uma biblioteca móvel na vila, a criação de um cartório municipal, a colocação de um carteiro rural no município e a instalação da linha-férrea de ligação entre Loulé e São Brás.

Em Abril de 1916, durante um violento motim, o batalhão de voluntários que então chefiava teve ainda um papel fundamental no restabelecimento da ordem pública em São Brás.

Porém, o mundo assistia à destruição provocada pela Primeira Guerra Mundial. De São Brás de Alportel partiram muitos jovens recrutados pelo Exército, enquanto outros procuravam novos rumos para os seus negócios e para as suas vidas.

E os ventos da História obrigaram a que muitos dos sonhos que guiaram os intrépidos fundadores do concelho de São Brás de Alportel tivessem aguardar décadas para se concretizarem.



Bibliografia:

ENCARNAÇÃO, J. d', (1984), Inscrições romanas do Conventus Pacensis. Subsídios para o estudo da romanização, 2 Vols., Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras de Coimbra, Coimbra, pp. 112-113 e 116-117.

KHAWLI, Abdallah, (2002), Quelques réfletions sur l’histoire de l’Algarve pendant les premiers siècles de l’islamisation (VIII-XIème siècle). in, XARAJÎB 2, Revista do Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves, Silves, pp. 21-38.

PEREIRA, Angelina, (2002b), O Legado Romano, Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, São Brás de Alportel.

id, , (2004a), O Legado Islâmico, Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, São Brás de Alportel.

Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de São Brás de Alportel
Angelina Pereira

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