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Portal da Criança - CPCJDocumentar São BrásDesafio Fotográfico “Algarve Genuíno, Artes e Ofícios”

Personalidades com História

Viaje no tempo… e conheça alguns dos cidadãos e cidadãs são-brasenses que por particularidades ou singularidades da sua vida ficaram com o seu nome registado na história local, regional, nacional ou internacional, merecendo-nos uma referência mais aprofundada.

  • Jaime Rodrigues Passos Pinto
    Jaime Passos Pinto

    Jaime Pinto, como era mais conhecido, nasceu em 1904, em São Brás de Alportel.

    A vida deste homem ficou inevitavelmente ligada ao cinema, vício que adquiriu na sua juventude, já que o seu avô muitos antes de 1930, em equipa com um irmão mais velho, projetava “fitas” mudas na antiga sala de espetáculos na Rua Luís Bivar, onde funcionou a Recauchutagem Balito.

    Em meados dos anos 40, já com Jaime Pinto à frente desta sala de espetáculos, em equipa com José Ferreira e António Chaves foi comprada uma máquina sonora. Mas Jaime Pinto era mais ambicioso e entendia que São Brás merecia um espaço cénico melhor do que o velho barracão da Rua Luís Bívar… Assim, quando foi construída a atual Av. Da Liberdade tentou formar uma sociedade por ações com participação do maior número possível de são-brasenses, facto que demonstra ao tempo a sua visão perspetiva do futuro e de uma dimensão social ímpar. Não conseguindo realizar aquele objetivo dinamizou com o seu entusiasmo, um grupo restrito que fundou a empresa UNIDOS LDA SOCIEDADE, que reuniu inicialmente 10 sócios.

    Fonte: “100 anos de biografias”, Joaquim Manuel Dias:

     

    E assim um grupo de 8 amigos - Jaime R. Passos Pinto, José Ferreira, Joaquim Dias Rodrigues, Francisco Dias Neves, José Pedro Guerreiro, Manuel da Silva Barreira, Francisco de Sousa Correira e Raul Inácio Diogo pensam construir um cinema em São Brás…

    Em Fevereiro de 1950, o Diário do Governo publica a constituição da Sociedade Empresa Unidos, Lda, com um capital social de 50.000$00, dividido por dez quotas. Aos oito amigos juntaram-se os irmãos Francisco de Sousa Correia e António Dias de Sousa Correia.

    Depois de várias deslocações a Lisboa, muitas consultas feitas ao SNI, muitas reuniões na mercearia do amigo Joaquim Dias Rodrigues e muitas dificuldades vencidas, obtêm-se as devidas autorizações para a construção do Cine-Teatro e ainda no ano de 1950 são iniciadas as obras. O terreno para a construção tinha sido adquirido a Domingos da Silva Gomes (mais conhecido por 4 olhos).

    O Avenida Cinema parece cada vez mais uma realidade… Durante os próximos dois anos, decorreriam os trabalhos de construção, sob a orientação cuidada de Jaime Passos Pinto.

    A 1ª fase da obra foi entregue ao empreiteiro da terra, Aníbal Dias, que construiu a cimento e com pedra faceada, arrancada junto à Pousada.

    Na memória descritiva podia ler-se:

    “O imóvel compõe-se de 3 pavimentos e destina-se a um cinema teatro.

    No 1º pavimento está concentrada a plateia e tribuna com lotação para 498 pessoas, palco, sala de fumo, instalações sanitárias, bilheteiras, vestiário e bufete. Um corredor de serviço, dá serventia ao corpo de camarins, palco e saída de espectadores de uma parte da plateia.

    No 2º pavimento está instalada a cabine de projecção, enroladeira, bombeiro, casa da bateria, instalações sanitárias e camarins para senhoras.

    No 3º pavimento, estão instalados os camarins para homens.”

    A 21 de Dezembro de 1952, pelas 15 horas, a nova casa de espetáculos era inaugurada com o filme português, em estreia nacional, “Duas Causas”, de que faziam parte, entre outros, o grande artista Alves da Cunha e onde era protagonista a bela atriz são-brasense Mariana Villar.

    Com este filme haveriam de realizar-se 8 sessões, sempre com a sala esgotada.

     

    Mas Jaime Pinto também foi comerciante e fundou uma loja com o nome de Universal onde vendia material elétrico, nomeadamente aparelhos de telefonia, proporcionando uma nova dinâmica a muitos lares são-brasenses, que assim passavam a estar a par das notícias do que se passava por cá e pelo estrangeiro, podendo afirmar-se que Jaime Pinto foi um dos mais significativos produtores de cultura das gentes de São Brás de Alportel. Escolhendo criteriosamente os filmes e utilizando os meios de que disponha, muito contribuiu para evoluir mentalidades e abrir os horizontes culturais da comunidade são-brasense

    Que em boa hora o honram e recordam nesta merecida Homenagem!

     

     

    Jaime teve 3 filhos:

    Arnalda [falecida] casada com José Rosa

                    3 filhos

    Lutegarda

                    4 filhos

    Renato

                    2 filhas ?

  • Maria Bárbara Louro
    Maria Bárbara Louro

    Maria Bárbara Louro nasceu em São Brás em junho de 1863. Casou-se com João Viegas Louro, que desempenhou o cargo de Presidente da Câmara, de quem teve 6 filhos.

    O casal era proprietário do bonito edifício que acolhe a Hospedaria São Brás e da fábrica de cortiça que então existia junto à entrada sul da vila, onde hoje está implantado o Terminal Rodoviário e o Parque da Vila.

    A sua compaixão e generosidade deixaram profunda saudade na comunidade são-brasense.

    Durante a Primeira Guerra Mundial, quando a Pneumónica afetou grande parte da população, que se viu a braços com um dos períodos mais negros da história, onde imperava a fome e a miséria, M.ª Bárbara abria as portas a todos os que lhe pediam ajuda. As pessoas faziam fila, todos os dias à sua porta, onde encontravam sempre algo com que matar a fome e alimentar a esperança. Em sua homenagem, lembram ainda alguns: a procissão parava à sua porta em sua homenagem.

    A “Ti Bárbara”, como era conhecida, foi sempre Mãe prestimosa e Mulher preocupada com aqueles que à sua volta precisavam de cuidado, tem sempre um motivo para ajudar o próximo. A bondade da sua alma valeu-lhe o nome de “madrinha” , com o qual lhe apelidavam as gentes do concelho.

    Durante a 1-ª Guerra, M.ª Bárbara Louro acolheu na sua casa muitos necessitados.

    E para sempre deixaria para a História o exemplo de uma Figura altruísta singular.

     

    Fonte: “100 anos de biografias”, Joaquim Manuel Dias:

     

  • Alexandrina de Sousa Martins Negrão

    Alexandrina NegrãoAlexandrina Negrão nasceu em São Brás a 28 de Fevereiro de 1897 (†1980). A Menina Sousinha, nome pelo qual foi conhecida e é recordada, foi professora do ensino primário.
    Filha de uma professora, ainda antes de ela própria ter feito exame de instrução primária, já colaborava com a sua mãe ensinando, aos alunos mais novos, «as primeiras letras», como então se dizia.

    Estudava e ensinava. Tinha uma capacidade intuitiva de se adaptar à evolução dos programas, às novas regras gramaticais e às novas matérias, característica que muito contribuiu para ter sido uma professora muito querida e respeitada por toda a população são-brasense.
    A Menina Sousinha foi professora de sucessivas gerações de são-brasenses que ainda hoje a recordam com imenso carinho. Para a Menina Sousinha os alunos e os pais destes constituíam uma segunda família.

    Pedagoga e psicóloga inata, dedicou-se de tal modo ao seu trabalho que não teve oportunidade, ou vontade, de casar. Sempre carinhosamente «menina» faleceu aos 83 anos!
    Em sua homenagem, foi dado o seu nome ao largo perto de sua casa, onde durante tantas décadas ensinou as primeiras letras e os primeiros algarismos, os mesmos que ainda hoje por lá se podem soletrar, ornamentando as pedras da calçada que conta a sua história.

    Viaje no tempo… e conheça a vida deste ilustre são-brasense, e de outros seus contemporâneos!

  • António Salustiano de Brito

    António Salustiano de BritoSalustiano de Brito nasceu em São Brás de Alportel a 8 de Junho de 1933 foi bibliotecário-arquivista.
    António Salustiano Lopes de Brito, de seu nome completo, concluiu o 7º Ano do Curso Geral dos Liceus, no Liceu de Faro em 1953 e, em 1958, licenciou-se em Ciências Sociais e Políticas Ultramarinas na Universidade Técnica de Lisboa, tendo apresentado uma tese de exame de licenciatura cujos trabalhos e publicações foram subsidiados pelo Instituto de Alta Cultura.

    Posteriormente concluiu o Curso de Pós-Graduação de bibliotecário-arquivista, na Faculdade de Letras de Coimbra, área em que viria a desenvolver a maior parte da sua atividade profissional, especialmente após realizar um estágio de Técnico Internacional de Arquivos do Ministério da Educação de França, em Paris.

    Foi fundador e diretor do então recém-criado Arquivo Distrital de Faro, onde, desde 1969/70, se debateu pelo crescimento e desenvolvimento do acervo documental, que, à data da sua morte, era já um dos maiores do País. Para tal contribuiu o seu empenho em solicitar, para o Arquivo, o envio de todos os assentos de nascimento, casamento e óbito, com mais de 100 anos, por parte das Conservatórias de Registo Civil e Paróquias do Algarve, promovendo assim a integração, no Arquivo Distrital, de documentação muito dispersa e em risco de perda irremediável.

    Entre 1975 e 1978 desempenhou funções de Conservador do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa.
    Em 1979 regressou definitivamente a Faro e exerceu funções de Diretor do Arquivo e Biblioteca Distrital de Faro até 1994, ano em que se aposentou.
    Enquanto bibliotecário, reorganizou a Biblioteca do Grémio Literário.

    Procurou tornar dinâmico o Tombo do Algarve, que passou a ter mais de 3500 leitores por ano (muitos dos quais para fazerem as respetivas árvores genealógicas), contribuindo, muitos deles, para o estudo e a divulgação da história local.
    Organizou palestras, visitas orientadas e exposições, procurando divulgar, não só junto dos investigadores, mas também do público em geral, a importância da preservação dos documentos escritos para a História do Algarve e do País.
    Salustiano de Brito deixou a sua presença fortemente marcada quer no Arquivo Distrital de Faro, que viu nascer e fez evoluir e para o qual publicou um «Guia», quer na cultura algarvia.

    Viaje no tempo… e conheça a vida deste ilustre são-brasense, e de outros seus contemporâneos!

  • Bernardo Rodrigues de Passos (Sénior)

    Bernardo Rodrigues de Passos (Sénior)Mª Joaquina, Rosalina e Virgínia, filhas de Bernardo Rodrigues de Passos.

    Bernardo Rodrigues de Passos (Sénior) nasceu em São Brás de Alportel a 2 de Setembro de 1847, foi publicista e republicano.

    Filho de Joaquim Rodrigues do Passo e de Maria do Nascimento casou aos 24 anos com Maria Joaquina Dias, de quem teve 7 filhos: Maria Joaquina, Isabel, Bernardo, Rosalina, Virgínia, Paulo e Boaventura, quatro dos quais escreveram o seu nome nas mais importantes páginas ida História da terra que os viu nascer. Do pai herdaram certamente a firmeza de carater e a coragem de defender os seus ideais, sempre e acima de tudo.

    Uma das mais respeitadas figuras de São Brás de Alportel, republicano devoto e intransigente, Bernardo de Passos foi colaborador de muitos jornais do Algarve e mesmo do país.
    O vigor e a intransigência com que por vezes combateu os vícios de algumas classes da sociedade atraíram-lhe despeitos e animadas aversões, ao longo de toda a sua vida, que até no final, aquando do seu funeral, despertou acesa luta, descrita nos jornais da época.

    Viaje no tempo… e conheça a vida deste ilustre são-brasense, e de outros seus contemporâneos!

  • Bernardo Rodrigues de Passos

    Bernardo Rodrigues de PassosBernardo Rodrigues de Passos nasceu em São Brás de Alportel a 29 de Outubro de 1876. Modesto, generoso, solidário e idealista, foi poeta por excelência.
    Bernardo Passos começou muito cedo a publicar as suas poesias em jornais do Algarve, assinando «Passos Júnior». Poeta de grande inspiração, sensibilidade e forma puríssima, cantou a paisagem algarvia, a Natureza e a Mulher! Através da sua obra demonstrou, de acordo com os seus ideais políticos, preocupações sociais e, com grande subtileza, fez críticas a favor dos mais desfavorecidos.

    Bernardo de Passos abraçou profundamente os ideais republicanos, que defendeu, em muitos artigos assinados com o pseudónimo de «Brás Brasil», e divulgou, com atitudes únicas, nomeadamente dando aulas gratuitas no centro republicano então existente em São Brás de Alportel.
    Depois de uma curta permanência em Lisboa, onde foi ajudante de farmácia, Bernardo de Passos foi escrivão em São Brás de Alportel e co-fundador e dirigente do jornal «Correio do Sul». Com a implantação da república foi nomeado administrador do concelho de Faro e depois secretário da Câmara Municipal de Faro, cargo que ocupou até ao seu falecimento.

    Em 1902 publicou o seu primeiro livro, «Adeus»; em 1907 seguiu-se «Grão de Trigo»; «Portugal na Cruz» foi editado em 1909 e, em 1913, «Bandeira da República».
    Em 1930, logo após a sua morte, foi lançada a obra «A Árvore e o Ninho» e, em 1936, também publicada postumamente, «Refúgio».
    Em 1983 a Câmara Municipal de São Brás de Alportel editou a obra completa de Bernardo de Passos, permitindo às gerações vindouras um melhor conhecimento do valor intelectual de um dos mais inspirados poetas de língua portuguesa!

        Dormita a aldeia ao longo da verdura,
        E, em torno, as fontes vão cantando às mágoas…
        Assim tranquila, caiadinha e pura,
        Parece um cisne de brilhante alvura,
        Sonhando quieto no frescor das águas…
        («Minha Aldeia», in A obra poética de Bernardo de Passos, Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, 1983, p. 59)


    Viaje no tempo… e conheça a vida deste ilustre são-brasense, e de outros seus contemporâneos!

  • Boaventura Rodrigues de Passos

    Boaventura Rodrigues de PassosBoaventura Passos nasceu em São Brás no ano de 1885, filho mais novo de Bernardo Rodrigues de Passos e irmão do poeta Bernardo de Passos, da escultora Rosalina de Passos e da pintora Virgínia de Passos, Boaventura viveu a sua infância num meio artístico propício ao seu desenvolvimento intelectual.

    Seguindo as pisadas republicanas do seu pai, Boaventura foi sempre um crítico dos males da sociedade e um contestatário. Era ainda adolescente quando o seu pai morreu, tinha apenas 17 anos e na ocasião assistiu a uma situação que o haveria de marcar para sempre. Em virtude do republicanismo e anti-clericalismo do seu pai, o padre local proibiu a entrada do funeral pela porta principal do cemitério, mandando-a encerrar, para que o cortejo fúnebre tivesse que entrar pela porta estreita, chamada «a porta dos enforcados», ao que o povo se revoltou com tal veemência que o padre veio a abrir a portal principal do cemitério.

    Boaventura de Passos haveria de ser um eterno inconformista. Inscreveu-se na Maçonaria e fez críticas sociais, através do traço e da escrita, os quais incomodaram alguns que não gostavam de se ver retratados nem apreciavam o humor acerado do autor, pois as revistas mordazes que escrevia eram representadas no teatro por si dirigido.

    Escritor, desenhador e caricaturista apenas teve as suas obras publicadas, postumamente, graças à iniciativa de seu filho, Bernardo de Passos. A primeira obra a ser editada foi «Aldeia em Festa», a qual foi reeditada pela Câmara Municipal em 1988. Desde então outros títulos têm sido editados nomeadamente: «Rezem por Alma desta Talassas», «Ave de Rapina», «O Delírio de um Justo», «A Família Pires» e «In Vino Veritas», este publicado em 1999.

    Viaje no tempo… e conheça a vida deste ilustre são-brasense, e de outros seus contemporâneos!

  • Carlos Porfírio

    Carlos PorfírioCarlos Filipe Porfírio nasceu a 29 de Março de 1895, em Faro.
    Ensaiador teatral, cenógrafo, decorador, pintor e cineasta, Porfírio foi considerado um dos maiores vultos da pintura contemporânea. Acérrimo defensor do movimento futurista, artista eclético e homem do mundo, foi também poeta, museólogo, etnólogo, amante e colaborador teatral e “designer”.

    Em Lisboa frequenta a Escola de Belas Artes cujas aulas, no aspeto concetual não o satisfazem. Entretanto adere ao grupo pioneiro do futurismo em Portugal – a chamada geração de Orpheu – de que fazia parte Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Santa-Rita Pintor, Fernando Pessoa, entre outros.
    Após a sua primeira exposição, em 1923,viaja pelo mundo e fixa-se em Paris, onde trabalha durante vários anos, e convive com a intelectualidade francesa, nomeadamente com o pintor Pablo Picasso e a escritora Simone de Beauvoir. Em 1939 regressa a Portugal e fixa-se em Faro, onde desenvolve relevante atividade, para além da pintura.

    Enquanto museólogo e etnólogo criou o Museu Etnográfico de Faro, para o qual concebeu, expressamente, os mais belos quadros descritivos dos costumes, dos saberes e das crenças do povo algarvio, de toda a população pictórica nacional.
    Foi diretor do Museu que criou e ao qual deu alma através da sua arte de pintor, da sua fina perspicácia de etnólogo e de um sentido profundo de estética, que muito contribuíram para o excecional resultado museográfico.

    No 1º andar do edifício dos Paços do Município de São Brás de Alportel encontra-se umas das obras pictóricas do artista, um óleo sobre tela intitulado «A Alfarrobeira».

    Viaje no tempo… e conheça a vida deste ilustre são-brasense, e de outros seus contemporâneos!

  • Evaristo Gago

    Evaristo GagoNatural de São Brás de Alportel, Evaristo Gago foi médico, benemérito e democrata.

    Evaristo de Sousa Gago, de seu nome completo, frequentou a escola primária em São Brás de Alportel, e aí viveu, num prédio situado na Rua Serpa Pinto, tendo concluído o curso do Liceu em Faro. Posteriormente fez os preparatórios médicos em Coimbra e aí frequentou os dois primeiros anos do Curso de Medicina, o qual viria a terminar na Faculdade de Medicina de Lisboa.

    Abriu consultório em Grândola onde, durante quarenta anos, exerceu a profissão de médico. Extremamente generoso foi chamado «o médico dos pobres», pois não só os tratava gratuitamente como lhes deixava dinheiro junto da receita, para que pudessem aviar na farmácia!
    Democrata e antifascista, solidário com os perseguidos e com as famílias carenciadas dos presos políticos, era alvo frequente da vigilância da PIDE.

    O povo de Grândola, logo que via algum movimento suspeito, ou «gente de fora esquisita», avisava-o logo e dava-lhe proteção, procurando distrair a atenção dos indesejáveis, enquanto o médico partia, por algum tempo, para lugar seguro!

    Quando vinha de visita à sua terra natal, não deixava de atender os doentes que a ele se dirigiam, sempre com a melhor boa vontade.

    A Câmara municipal de Grândola, considerando-o como símbolo de solidariedade para com o próximo e de total entrega à população daquele concelho, prestou-lhe permanente homenagem, mandando erigir o seu busto em local central da cidade.

    Com intenção pedagógica e como símbolo de gratidão, foi instituído o prémio «Dr. Evaristo de Sousa Gago», a ser entregue aos três melhores alunos do concelho. Este prémio, é anual e pretende perpetuar a memória do cidadão e médico que, não sendo natural de Grândola, àquela cidade e concelho devotou ciência e solidariedade, em título de resumo, uma vida exemplar de Homem e de profissional.
    A sua terra natal também não esqueceu este ilustre são-brasense e perpetuou a memória deste ilustre democrata e humanista na toponímia local, tendo atribuído o seu nome a uma rua da vila.

    Viaje no tempo… e conheça a vida deste ilustre são-brasense, e de outros seus contemporâneos!

  • Gago Coutinho

    Gago Coutinho Carlos Viegas Gago Coutinho foi marinheiro, geógrafo, percursor da navegação aérea astronómica, investigador da técnica náutica dos descobrimentos, conferencista e almirante.

    Em 1888, concluiu o curso da escola naval, desempenhando a partir de 1890, durante 10 anos, o cargo de oficial de guarnição de navios veleiros e mistos, tendo cruzado o Atlântico Sul, de costa a costa, e o Indico Ocidental.
    De 1898 a 1918 dedicou-se, enquanto geógrafo de campo, a missões geodésicas e à delimitação de fronteiras nas províncias ultramarinas portuguesas de Timor, Moçambique, Angola, Índia e São Tomé.

    A partir de 1917 interessou-se pela aviação, tentando adaptar à aeronavegação os processos e instrumentos da navegação marítima, com vista a viagens oceânicas e de longo curso. Realizou trabalho considerado extraordinário e de relevante mérito, tanto nos métodos, alguns inéditos, e na precisão, como na extensão.

    Em 1919 criou o famoso sextante de bolha, um astrolábio de precisão, designado por sextante sistema almirante Gago Coutinho, o qual ensaia no voo Lisboa-Madeira, efetuado em Março de 1921.

    Em 1922 realizou, com Sacadura Cabral, a primeira viagem aérea entre Lisboa e o Rio de Janeiro e foi então que os jornais da época referiram pela 1ª vez que Gago Coutinho era natural de Alportel!

    Foi, no entanto, como marinheiro experiente, estudioso e crítico da história dos descobrimentos que, além de geografo consagrado, produziu uma vasta obra.
    Em 1951 publicou, em dois volumes, A Náutica dos Descobrimentos, fruto da sua experiência de navegador e do estudo da rota de Vasco da Gama e de Pedro Álvares Cabral e das viagens do atlântico norte, entre outras obras.

    Viaje no tempo… e conheça a vida desta ilustre são-brasense, e de outros seus contemporâneos!

  • João Braz Machado

    João Braz MachadoJoão Braz Machado nasceu em São Brás de Alportel, no início do século XX, tendo sido poeta e dramaturgo. Fez o curso da Escola Comercial e Industrial de Silves, cidade para onde os seus pais, daí naturais, regressam, vindos de São Brás de Alportel.
    Desde muito cedo, João Braz revelou uma propensão colossal para as letras, o que lhe permitiu desenvolver uma intensa atividade criativa. Contudo, a sua vida profissional foi sempre ligada à contabilidade.
    Foi diretor de «A Rajada», de Silves; colaborou em diversos jornais e revistas regionais nomeadamente na revista «Costa de Oiro», de Lagos, onde assinou com o pseudónimo «Menestrel» e, no jornal «Correio do Sul»; fundou a «Vibração», que contou com nomes que viriam a ter relevo no mundo das letras, entre eles o silvense Julião Quintinha. Colaborou, igualmente, em vários jornais da capital, nomeadamente em «O Diabo», e publicou contos e poesias na revista «Espetáculo».

    Como poeta, concorreu a imensos jogos florais em Portugal e no Brasil, onde foi premiado. Em 1977 tornou-se membro da «Associação Internacional de Poetas» (Cambridge) e figura na «Colectânea de Poemas de Dez Poetas Algarvios», de Joaquim Magalhães.

    Escreveu teatro e recebeu o «Prémio Diário de Lisboa» pela peça em um ato «Casar por anúncio». Escreveu revistas, «Sendo assim está certo…», «Fitas faladas», «Feira de Agosto» e «Isto só visto», com a qual foi inaugurado o antigo Cineteatro de Portimão. Produziu três autos em verso e toda a obra para teatro criada por si foi já toda representada, mas não editada!

    Em 1993 faleceu «o Príncipe dos Poetas Algarvios», como um dia foi aclamado, deixando a gaveta cheia de poemas inéditos!
    Pode apreciar um pequeno excerto da sua imensa obra poética, inscrito numa lápide, no Poço das Castanhas [Campina – São Brás de Alportel], em sua homenagem!

    Viaje no tempo… e conheça a vida deste ilustre são-brasense, e de outros seus contemporâneos!

  • João da Silva Nobre

    João da Silva NobreJoão da Silva Nobre nasceu em São Brás de Alportel a 20 de Janeiro de 1878. Ilustre médico, democrata e benemérito.
    Licenciou-se, com elevada classificação, pela Faculdade de Medicina de Lisboa e iniciou a prática de medicina, em 1911, naquela cidade.

    Regressado ao Algarve, montou o seu consultório em Olhão, onde cedo alcançou fama e simpatia pelas suas qualidades humanas. Posteriormente mudou-se para Faro, onde exerceu a profissão de médico por longos anos. Criou as conhecidas “hóstias” do Dr. João Nobre, as quais poderiam apenas ser um placebo, mas os seus resultados eram positivos para várias queixas. Competente, generoso e altruísta foi chamado «o pai dos pobres», pois estava sempre disponível e pronto a ajudar os mais desfavorecidos.

    Republicano, esteve ao lado de João rosa Beatriz na luta pela elevação de São Brás de Alportel a concelho. Com o advento da República, desempenhou vários cargos, cumulativamente com o exercício da medicina. Foi presidente da Câmara Municipal de Olhão, Governador Civil e Presidente da Junta Geral do Distrito.

    Apesar de ser vigiado pela PIDE, foi ativista do Movimento de Unidade Democrática (MUD), apoiou energicamente a candidatura do general Norton de Matos e, depois, a candidatura do general Humberto Delgado, tendo recebido ambos os candidatos em sua casa, em Faro. Também foi Diretor do semanário «A Ideia Republicana» e escreveu duas revistas: «Os Filhos do Mar» e «Se eu fosse Homem».
    Cidadão impoluto e profissional dedicado, só abandonou a prática da medicina no dia em que quis prescrever um medicamento a um doente e não conseguiu recordar-se nem da fórmula nem do nome do remédio. Estava então próximo dos 90 anos!

    Viaje no tempo… e conheça a vida deste ilustre são-brasense, e de outros seus contemporâneos!

  • João Rosa Beatriz

    João Rosa Beatriz nasceu em São Brás de Alportel, em 1881, foi republicano e defensor da criação do município de São Brás de Alportel.João Rosa Beatriz nasceu em São Brás de Alportel, em 1881, foi republicano e defensor da criação do município de São Brás de Alportel.

    Acérrimo defensor da causa republicana, do livre pensamento e da evolução da humanidade, por força do Amor e dos Valores Nobres que guiaram os Homens pela razão, João Rosa Beatriz estava disposto a dar a via pela implantação da república, deixou os negócios na sua terra natal e rumou a Lisboa onde, na Rotunda, na noite de 4 de Outubro de 1910, foi o único algarvio a combater numa «luta» que viria a dar a república ao nosso país.

    A foto de João Rosa Beatriz apareceu na 1ª página do jornal republicano «O intransigente» de 19 de Março de 1911, lembrando os heróis da rotunda que, a 4 de Outubro de 1910, tudo fizeram pelo sucesso da revolução.

    Do mesmo modo, valorosamente se bateu no norte contra a incursão monárquica chefiada por Henrique de Paiva Couceiro.

    Machado dos Santos foi seu chefe revolucionário e amigo, demonstrando-lhe grande consideração.
    Após a vitória da implantação da república foram-lhe oferecidos lugares de prestígio, mas João Rosa Beatriz apenas aceitou influências no sentido de elevar a então aldeia de São Brás de Alportel, uma das mais populosas do concelho de Faro, a sede de concelho.

    Depois de muitas viagens a Lisboa, de muito trabalho, de muita dedicação e de despesas suportadas pelo próprio e por seus correligionários são-brasenses, vê cumprido o seu grande sonho, quando a freguesia de São Brás de Alportel é elevada a concelho, a 1 de Junho de 1914. A comissão executiva tomou posse a 15 de Agosto de 1914 e João Rosa Beatriz foi o 1º administrador (cargo hoje equivalente a Presidente da Câmara) do novo município.

  • José Belchior Viegas

    José Belchior ViegasMilitar, maestro, professor e poeta, José Belchior Viegas nasceu em São Brás de Alportel, há já 106 anos.
    Filho mais velho de uma família numerosa e de parcos recursos, fez a instrução primária, trabalhando em simultâneo numa herdade alentejana em Portel, juntamente com seu pai. Aos 14 anos, regressa à sua terra natal com a família, onde começa a trabalhar numa fábrica de cortiça e a estudar música à noite com o Padre Sena Neto.

    Aos dezassete anos entrou para a tropa, como músico voluntário. Prestou serviço em Leiria, onde tirou o curso comercial. Em serviço no Regimento 12, de Coimbra, lecionava na Escola Regimental e simultaneamente frequentava o Conservatório, cujo curso Superior de Música viria a terminar no Conservatório de Lisboa.

    Após regressar ao Algarve, fixa-se em Olhão. Mas é em São Brás de Alportel que, com os irmãos, constitui uma sociedade industrial de cortiça para ajudar a família, em virtude desta não ter tido as mesmas possibilidades de progredir material e intelectualmente que ele. Paralelamente, sempre ligado à música, foi maestro de Filarmónicas e regente de Grupos Corais.

    Em São Brás de Alportel, restaura a banda de música do Padre Sena Neto e torna-se dinamizador cultural e cumprindo o seu grande sonho, em 1959, com a sua mulher, Bernardete Romeira, criou o Externato São Brás, para o ensino primário e secundário, cujo alvará para a abertura oficial foi conseguido em 1961, após algumas dificuldades. O Externato São Brás foi considerado um dos melhores do Algarve.

    Enamorado pelo ensino, reconstruiu ainda o Externato João lúcio, em Olhão e foi diretor do Colégio Algarve, em Faro.

    Viaje no tempo… e conheça a vida deste ilustre são-brasense, e de outros seus contemporâneos!

  • José de Sousa Uva Júnior

    José de Sousa Uva JúniorJosé de Sousa Uva Júnior nasceu em São Brás de Alportel, a 14 de Agosto de 1890, foi Professor e Director da Escola Industrial e Comercial de Faro - Tomás Cabreira.
    Júnior foi ainda Alferes Miliciano do 1º Grupo de Companhias dos Serviços de Administração Militar, tendo prestado serviço de campanha no 1º Corpo Expedicionário Português, durante seis meses, em França (1ª Guerra Mundial). Também foi poeta, músico e Vice-Presidente da Junta Geral do Distrito de Faro e Procurador, pelo Ensino Técnico, ao Conselho Provincial do Algarve.
    Conhecido entre os amigos por “Zé da Uva”, casou em primeiras núpcias com Palmira Dias Sancho de quem teve dois filhos: José Dias de Sousa Uva e Alberto Dias de Sousa Uva, ambos já falecidos. Em segundas núpcias casou com Maria Zulmira Remechido Mendes, de quem teve os filhos Carlos Alberto Remechido Mendes Uva, Teresa Maria Mendes de Sousa Uva e João António Remechido de Sousa Uva.

    Em 2005, a Associação dos Antigos Alunos da Escola Tomás Cabreira editou uma pequena colectânea de poemas do Professor intitulado «Recordando… o professor José de Sousa Uva Júnior», onde, através de vários testemunhos inseridos na obra é recordado por alguns dos seus antigos alunos nomeadamente: Aníbal Cavaco Silva, Casimiro de Brito e Mário Zambujal, bem como pelo seu colega, Dr. Jorge Correia Matias que, segundo as sua palavras:

        “Zé da Uva era poeta e repentista de jeito, compositor musical por intuição, devoto à charla, recheado de humor sadio e de agudo espírito de observação. (…) Em suma: o Zé da Uva dava-se por completo à sua província! O Mundo, para ele, começava e acabava no seu algarve. (…) Mais, ai de quem lhe pisasse o rabo: levava logo resposta pronta de seta acerada.”


    Viaje no tempo… e conheça a vida deste ilustre são-brasense, e de outros seus contemporâneos!

  • José Dias Sancho

    José Dias SanchoJosé Dias Sancho, filho de José Dias Sancho e de Maria Dias Sancho, nasceu em São Brás de Alportel a 22 de abril de 1898.

    Advogado, poeta e ficcionista, José Dias Sancho figura entre os mais ilustres filhos de São Brás de Alportel.

    Frequentou a Faculdade de Direito, em Lisboa, onde se licenciou em 1926. Não exerceu advocacia e, quando faleceu, era Conservador do Registo Civil de Faro, depois de curtas permanências como oficial nomeado nos Registos de Ourique e de São Brás de Alportel.

    Desde adolescente que José Dias Sancho produzia poesia de grande qualidade e revelava o seu sentido de humor crítico, que igualmente expressava na caricatura.
    Foi um dos fundadores do «Correio do Sul», em 1920, e colaborou em muitos jornais regionais, como a «Folha de Alte», a «Vida Algarvia» e na revista «Costa de Oiro», de Lagos, onde, entre outros trabalhos, publicou o conto infantil «No Reino dos Bonecos». Em Lisboa escreveu para o «Diário de Notícias», «Diário de Lisboa», «O Século» e «A Situação», de que foi diretor. Enquanto estudante universitário de direito colaborou no «Académico», quinzenário defensor dos interesses académicos.

    Com apenas 31 anos, faleceu tragicamente, deixando viúva Maria Helena Pousão Pereira Dias Sancho (filha do poeta João Lúcio) e órfã a sua filha, Maria Luiza, de apenas 3 anos, à qual havia dedicado o conto «El-Rei-bébé»! Deixou publicadas várias obras de poesia, incluindo poesia satírica, e contos rústicos.

    De prosa típica e genuinamente algarvia, poeta romântico, a sua obra literária marca um dos valores mais notáveis da moderna geração, merecendo da crítica portuguesa, as mais lisonjeiras referências., considerado entre os grandes da literatura: Cândido Guerreiro, Ferreira de Castro, Sousa Costa, Norberto Araújo.

    No ano seguinte ao seu falecimento foi publicado o único romance que escreveu «Bezerros de Ouro» e que, passados mais de 70 anos se lê como um romance de crítica social da atualidade.

    A região que o traria enamorado durante a sua curta, mas apaixonada, vida, definiu-a de “saia cigana, estendida ao sol, cuja barra azul é o Atlântico”.
    A Câmara Municipal de São Brás de Alportel atribuiu o nome do escritor a uma das principais artérias da Vila e imortalizou a sua poesia numa das bonitas fontes do concelho – a Fonte da Silva.

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  • Lucília Sancho

    Lucília SanchoLucília Dias Sancho nasceu em São Brás de Alportel, no ano de 1906 e deixou à sua morte um exemplo de generosidade e altruísmo.
    Lucília cresceu numa família abastada de 8 filhos que, desde cedo, a envolveu com cuidados especiais, dado que desde tenra idade sofria a pequena de problemas de saúde que a levaram a ser submetida a várias intervenções cirúrgicas.
    Na segunda década do século XX, o seu irmão Manuel Dias Sancho fundou uma casa bancária no edifício onde habitavam (hoje Museu do Trajo), mas conheceu a falência pouco depois. Apesar de possuir filiais em Faro e Loulé, e de ter algum prestígio na região, esta quebra constituiu um sério problema a nível social e financeiro para a família. Naquela época, a falência era encarada como uma vergonha e um descrédito e por isso também Lucília veio a sofrer com o desaire do irmão, passando uma juventude sem grandes perspectivas.
    Por volta de 1946, Lucília veio a casar com António da Conceição Bentes, antigo funcionário da casa. O casal viveu durante alguns anos em Lisboa, regressando a São Brás em 1962, vindo habitar para o antigo palacete construído pelo seu bisavô, Miguel Dias Andrade.
    Num gesto de profundo altruísmo, Lucília Dias Sancho deixou, por sua morte, ao marido, o encargo de doar a várias instituições de solidariedade social, parte do que havia herdado de seus pais. Assim, o edifício que fora residência da família desde os finais do século XIX foi doado à Santa Casa da Misericórdia de São Brás, e é neste palacete que se encontra actualmente instalado o Museu do Trajo e a Casa da Cultura António Bentes.

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  • Manuel de Sousa Pires Rico

    Manuel de Sousa Pires Rico nasceu em São Brás de Alportel, no final do séc. XIX. Com o desejo de conquistar uma vida melhor do que aquela que oferecia a sua aldeia, emigrou para o Brasil, mas regressou 6 anos depois à terra natal, onde escolheu viver toda a sua vida!

    Dinâmico e alegre, fez-se bombeiro por solidariedade, tendo sido incorporado no Corpo de Bombeiros Voluntários a 28 de Agosto de 1927 e por mérito, constituído comandante.
    Tudo terá começado quando um grande incêndio deflagrou numa fábrica de cortiça. Nada estava organizado, mas Manuel, determinado, orientou as operações, apesar de a água ser atirada a baldes! É a partir daqui que o grupo se constitui como bombeiros voluntários, e designou como comandante o «Levezinho», ou seja, Pires Rico, também carinhosamente conhecido por «Manelinho da Elisa» (nome da sua mãe). O grupo contou também com a ajuda económica do Dr. Alberto de Sousa e com o altruísmo de um conjunto de jovens são-brasenses.

    Quando havia um incêndio, chamavam o comandante, depois tocava a rebate, para que os bombeiros acudissem e a população colaborasse. No início não havia água canalizada e era necessário trazê-la das noras e dos poços. Para obter dinheiro para adquirir os equipamentos necessários, organizava bailes, quermesses, espectáculos, festas, convívios e, no verão, organizava “verbenas”, às 2ªs e 5ªs-feiras! Os fundos que angariava não eram apenas para aquisição de equipamentos, mas também para as ofertas de natal às crianças pobres da terra!

    Pires Rico recebeu inúmeros diplomas, medalhas, condecorações e louvores. A Liga Portuguesa dos Bombeiros atribuiu-lhe todas as condecorações possíveis e na sua terra, o Município deu o seu nome a uma rua da vila, em sua homenagem.

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  • Manuel Francisco do Estanco Louro

    Manuel Francisco do Estanco LouroManuel Francisco do Estanco Louro nasceu no sítio de Alportel, a 6 de Setembro de 1890. Advogado, professor, escritor, publicista e investigador, Estanco Louro deixou à sua morte, uma volumosa obra literária inédita com diversos estudos nas áreas da linguística - gramática, dialectologia e toponímia -, da etnografia algarvia, dos estudos camonianos e ainda ensaios diversos de literatura portuguesa.
    Licenciado em Filologia Românica (1919) e Direito (1922), cursou Estudos Camonianos na Faculdade de Letras de Lisboa e, durante alguns anos, acumulou a actividade de professor liceal com a de advogado.
    Em 1925, após 12 anos de longo e árduo trabalho de investigação, concluiu a obra monumental «O Livro de Alportel – Monografia de uma Freguesia Rural - Concelho», que veio a ser publicada 3 anos depois e constituiu ainda hoje uma referência nacional e internacional no seu género.
    Após ter leccionado durante 8 anos no Liceu Pedro Nunes, passou a leccionar no Liceu Camões onde permaneceu até à aposentação. Ao longo de todos estes anos, publicou diversas obras, realizou conferências sobre variadíssimos assuntos e colaborou activamente na Revista «Seara Nova», pois como intelectual progressista que era, fazia parte do grupo da «Seara Nova», ao lado de Aquilino Ribeiro, Raul Brandão, Jaime Cortesão, entre outros.
    Como referência que continua a ser no mundo das letras, a 8 de Novembro de 2003, a Biblioteca Municipal recebeu o seu nome, como patrono, em homenagem ao ilustre investigador, etnógrafo, linguista e professor são-brasense.

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  • Mariana Vilar
    

    Mariana VillarMariana Villar (nome artístico de Lucinda Costa Alves Figueira) nasceu em São Brás, em Março de 1927. O seu percurso de estudante decorreu na cidade de Faro e em 1960 foi residir para Lisboa.
    Por obra do destino candidatou-se a um anúncio de jornal e foi aceite como intérprete do filme «Duas Causas», realizado por Henrique Campos. O filme passou no cinema Trindade no Porto, em São Brás de Alportel, em 1952 e, no cinema S. Jorge, em Lisboa, em 1953, com grandes elogios da crítica.
    Mariana Villar tinha então 25 anos e uma beleza indescritível!

    No teatro, estreou-se numa típica comédia espanhola «Lua-de-mel para Três». A partir daqui desenvolve uma intensa e profícua actividade teatral, interpretando vários papéis em inúmeras comédias de sucesso.
    Em 1956-57 alcançou um dos seus maiores êxitos ao lado de José Gamboa, na peça «O Palco da Vida», de Alessandro De Stefani, que se manteve em cena durante 4 meses.
    Em 1957 faz a sua estreia no ecrã da televisão em «Querida Ruth», que seria o 1º de muitos trabalhos televisivos, sempre de grande qualidade profissional.
    Em 1959 casou com o dramaturgo e teatrólogo Luís Francisco Rebelo e em 1962 nasceu a sua filha Catarina. Após a maternidade, a sua actividade profissional sofreu algumas alterações e, as suas aparições tornaram-se mais espaçadas, mas não menos valiosas.

    Em 1961 ingressou na Companhia de Teatro d’Arte de Lisboa e, no ano seguinte, representa no Teatro Monumental.
    Em 1981, foi saudada pela crítica como um dos grandes acontecimentos da temporada. Fez alguns trabalhos para a televisão e regressa ao cinema, em 1983. No cinema, o seu talento, beleza, simpatia e fotogenia encantaram plateias.
    Em 1990, aparece pela última vez nos ecrãs da televisão. Foi a despedida do grande público, que tanto a admirava.
    Em Março de 2000 foi editada a obra Mariana Villar – Uma existência luminosa – uma biografia que também contém ilustrações e que é dedicada à sua neta: «À Matilde para que fique a conhecer a avó que não chegou a conhecê-la». Trata-se de uma obra de amor, em que ao marido e à filha se juntam depoimentos de quem com a actriz e a mulher privou.
     
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  • Miguel Andrade

    Miguel AndradeMiguel Dias de Andrade nasceu em São Brás, na primeira metade do século XIX, um almocreve que deixou um importante legado à história da sua terra!
    Miguel começou por ser um humilde jornaleiro, posteriormente foi areeiro, depois carvoeiro e finalmente almocreve. Dedicou-se ao transporte da cortiça do Alentejo para a zona de São Brás, e contribuiu, como poucos, para o desenvolvimento do comércio e da indústria corticeira.
    Nos finais do século XIX, graças à cortiça proveniente do Alentejo, São Brás era, segundo publicações da época, o maior centro corticeiro do mundo, com cerca de 60 fábricas corticeiras em laboração simultânea! Este surto de progresso deixou marcas ainda hoje visíveis. Algumas famílias desenvolveram o gosto pelas letras, pelas artes e pela política. Outros construíram magníficas moradias, mais próprias de gente de “punhos de renda” do que de homens rudes habituados, até há bem pouco, ao “gabão de soriano”.
    No início do século XX, a indústria corticeira havia prosperado de tal modo que São Brás de Alportel, sendo um dos maiores centros corticeiros do mundo, era também a maior freguesia rural de Portugal! Este surto de desenvolvimento foi crucial para a elevação de São Brás a concelho, a 1 de Junho de 1914.
    Miguel Andrade assistiu ao seu auge, usufruiu da imensa riqueza produzida e, provavelmente ter-se-á apercebido do princípio da decadência da indústria corticeira…
    Este almocreve foi o construtor do edifício onde hoje está instalada a Casa da Cultura António Bentes e o Museu do Trajo de São Brás de Alportel, onde poderá desvendar mais sobre esta vida singular!
     
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  • Roberto Nobre

    Roberto NobreJosé Roberto Dias Nobre nasceu em São Brás, a 27 de Março de 1903. Jornalista, escritor, ensaísta, crítico de arte, de cinema, e de literatura, ilustrador, pintor, publicista, cartoonista e caricaturista, Roberto Nobre foi um génio multifacetado que se distinguiu como ninguém, sobretudo em três diferentes percursos: as artes gráficas, o ensaio e a crítica de cinema!
    Aos 19 anos ruma a Lisboa onde conhece as grandes correntes intelectuais da época e participa na tertúlia da Pastelaria Veneza com os nomes sonantes da cultura portuguesa da 1ª metade do século XX, entre os quais Ferreira de Castro, Manuel de Oliveira, David Mourão-Ferreira.

    De convicções democráticas, fez a sua estreia como jornalista no jornal «A Batalha». Fez crítica de arte e, durante mais de trinta anos, dedicou-se à crítica cinematográfica em vários periódicos.

    Roberto Nobre revelou desde cedo o seu talento para o desenho. De fino traço, fez caricatura e, como pintor, foi pioneiro na maneira séria de fazer cartazes, os quais foram feitos para os melhores cinemas do país. Ilustrou dezenas de obras literárias, entre elas, grande parte dos romances de Ferreira de Castro e também desenhou capas de livros de vários escritores seus conterrâneos, entre os quais Bernardo de Passos.

    Foi também um homem de letras. Para além de escritor de grande mérito, fez pequenas incursões na poesia, escreveu contos, mas foi no ensaio que mais se destacou, também foi crítico literário e ensaísta.

    De gosto exigente, pena acutilante e profundo conhecedor da arte e das técnicas do cinema, este apaixonado da sétima arte, conquistou, nessa área, um lugar ímpar no nosso País. Reconhecido como o mais sério crítico de cinema em Portugal, a ele se deve a criação da Escola de Crítica de Cinema no nosso País.

    Roberto Nobre deixará para sempre o seu nome inscrito nas páginas dos grandes idealistas e sonhadores! A sua extensa obra, ainda hoje é uma referência, sendo, sem dúvida, um dos maiores vultos da cultura do concelho. O seu espólio, entre o qual se destacam interessantes exemplares do espírito criativo e da mão artística deste notável são-brasense encontra-se no Museu Arqueológico e Lapidar Infante D. Henrique, em Faro.
     
    Viaje no tempo… e conheça a vida desta ilustre são-brasense, e de outros seus contemporâneos!

  • Rosalina Passos

    Rosalina PassosRosalina Dias de Passos, filha do publicista, democrata e republicano Bernardo Rodrigues Passos, nasceu em São Brás de Alportel na era de 1880, tendo sido escultora e poetisa.
    Rosalina de Passos, ainda que não tivesse revelado os seus dotes, ou tendência, para a escultura na infância ou na adolescência, viria a afirmar-se como a maior se não a única escultora algarvia da primeira metade do século XX!

    Em menina era especialmente habilidosa na confeção e moldagem de bolinhos de amêndoa ou de massa sovada, onde se poderia adivinhar a sua inclinação.

    Mas, já casada, começou então a modelar em gesso duro cortado a canivete.
    Uma das primeiras obras terá sido o busto de sua mãe que, na altura, teria cerca de 70 anos.

    Habilidosa desde sempre, Rosalina apaixonou-se pela arte da escultura adquirindo vários livros da especialidade e consultando escultores conhecidos, o que lhe permitiu passar para a modelagem de barro antes de passar as peças ao gesso.

    A morte prematura dos irmãos Bernardo e Boaventura, a doença incurável do filho mais novo e, mais tarde, do marido, foram aspetos muito dolorosos que a escultora conseguiu suportar tendo como «calmante» a sua arte.
    Algumas das suas obras estiveram expostas na Sociedade Nacional de Belas Artes, incluindo “Angústia”, que a artista ofereceu para as vítimas do ciclone de 15 de fevereiro de 1941. De salientar ainda as figuras de presépio em tamanho natural e um busto de mulher numa expressão dolorosa a que chamou “Súplica”, e que teve como modelo a própria artista. Algumas fotografias do seu trabalho foram reproduzidas na imprensa regional e nacional, tendo merecido referências elogiosas dos periódicos da época.

    Rosalina faleceu aos 78 anos, deixando uma obra ímpar e genial na história da escultura algarvia realizada por mãos femininas. Deixou-nos dezenas de obras, algumas em barro que o tempo deteriorou ou destruiu, outras em gesso que se encontram em casa de descendentes da artista. A sua poesia ficou inédita ou dispersa por jornais!

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  • Victorino Pinto

    Victorino João Rodrigues Passos PintoVictorino João Rodrigues Passos Pinto nasceu em São Brás de Alportel, foi médico e benemérito.
    Filho de João Rodrigues de Passos Pinto e de Josefa da Conceição, Victorino fez os estudos secundários no Liceu João de Deus, em Faro, e formou-se em medicina na escola Médico-Cirúrgica, em Lisboa.

    Regressou então a São Brás de Alportel, onde se estabeleceu como médico, servindo também as freguesias de Estoi e de Santa Bárbara de Nexe. Casou com Rosa Maria Caiado, ficaria para sempre recordado pelo seu exímio talento e bom coração.

    Um dia surgiu-lhe um camponês com uma grave crise aguda de apendicite. Impunha-se uma intervenção cirúrgica, nunca antes realizada no Algarve, ou o doente acabaria por morrer.
    Foi uma decisão arriscada, mas o jovem Dr. Pinto chamou dois colegas e fez a operação, mantendo o enfermo sob a sua vigilância e cuidados durante o longo pós-operatório, tendo todas as despesas sido suportadas pelo generoso clínico.

    Um mês depois, apresentou-se em público com o doente completamente restabelecido da infeção e do ato cirúrgico a que fora submetido. O arrojo do jovem médico de província foi divulgado por todo o Algarve e nos meios médicos de Lisboa, Coimbra e Porto. A revista portuense “O Petardo”,
    de 1 de março de 1909, noticia a intervenção cirúrgica e o seu feliz resultado. O Dr. Victorino Passos Pinto ficará na história da medicina do Algarve como o primeiro a praticar uma operação ao apêndice. Era também tão generoso e discreto que tinha conta aberta na farmácia para que os doentes que não podiam pagar os medicamentos os fossem comprar, ficando o débito em nome do médico.

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  • Virgínia Passos
    

    Virginia de PassosVirgínia Dias de Passos, a Mulher, a Artista e a Democrata, nasceu em São Brás de Alportel, a 19 de Abril de 1881, sendo um dos sete filhos do democrata e publicista, Bernardo Rodrigues Passos.
    Irmã preferida do poeta Bernardo de Passos, seu irmão mais velho cinco anos, foi Virgínia a grande impulsionadora da sua obra.
    Mulher de arte, Virgínia Passos, “pinta como sente, sem preocupações da técnica”, pelo que, segundo os críticos, não sofreu qualquer influência de escolas nem de estilos. Manteve-se sempre igual a si mesma, fiel às suas ideias e respeitando sempre os seus adversários. Através da sua pintura expressou um rol de sentimentos que se traduzem em “verdadeiros poemas de piedade e de ternura por tudo o que foi criado, e sente e ama e sofre…”.
    Foi nas paisagens do Algarve e nas poesias do seu irmão, Bernardo de Passos, que encontrou a mais sublime e profunda inspiração para as suas extraordinárias e ímpares aguarelas.

    Viaje no tempo… e conheça a vida desta ilustre são-brasense, e de outros seus contemporâneos!

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