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Lenda de São Brás

São Brás
3 de Fevereiro, Dia de São Brás

Blasius (São Brás1) foi um mártir arménio que viveu entre os séculos III e IV d.C. (f. 316) e foi Bispo de Sebasteia, na Capadócia (actual Arménia Turca).
Médico, tornou-se patrono desta profissão e o seu culto, que terá tido início, provavelmente, durante o século VIII d.C., associa-se a águas santas contra doenças de garganta e doenças do gado, tendo a dedicação de velas acesas um papel destacado no seu ritual.
Narra a lenda que o santo ao regressar à sua cidade, para a nova missão de “pastorear um rebanho”, encontrou uma pobre mulher que lhe apresentou o filho, que tinha uma espinha entalada na garganta. A criancinha estava já roxa e agonizante quando o santo se acercou dela. Pôs-lhe as mãos nas faces e garganta e, depois de umas orações, deu-se o milagre: o rebento depressa recuperou o brilho dos olhos e acenou com gratidão a quem lhe fizera desaparecer o mortal padecimento.

Contam os mais antigos que em tempos remotos, perto da antiga «Fonte Santa2», que se localiza alguns metros acima da Fonte Nova e do lavadouro municipal, onde a água da nascente brotava de um rochedo, apareceria o santo, (que 1690 anos após o seu desaparecimento, dá nome à nossa terra) que, em tempos recuados, deu nome à nossa terra3!

 

A Lenda de São Brás de Alportel*

Assim descreve a Lenda Manuel Francisco do Estanco Louro, em “O Livro de Alportel”, de 1929:

Quando se quis fundar a ermida de S. Brás de Alportel, foi naturalmente o sítio do Alportel (Venda Nova), o lugar para isso escolhido. O santo, porém, não gostava do lugar em que queriam edificar-lhe a morada eterna (…). Protestou, pois, como o faria uma jovem, perdida de amor: fugiu do Alportel para o lugar em que ora está S. Brás. Os velhos alportelenses procederam nesta emergência, como pai amantíssimo,
indo buscar o santo para a casinha que lhe escolheram. Contudo, o santinho tornou a fugir e a lenda não diz quantas vezes se repetiu o facto. O que é verdade é que os alportelenses, vendo, naturalmente, que não levavam a melhor, apoquentados e quiçá pela reflexão de que o caso era irremediável, de que sempre era um santo e de que não era curial deixarem continuar com tal procedimento de vida errante e pródiga, o deixaram ficar no lugar que ora lhe pertence, com a simples condição de ser chamado de Alportel e o símbolo material de um calvário, perpetuando o facto.

(* in, LOURO, 1996: 346)

 

A Fonte Santa

A «Fonte Santa» são-brasense parece estar intimamente relacionada com a lenda da “aparição” de São Brás na fraga (rochedo de onde decaía a água da nascente).
Junto à «Fonte Santa», lugar de visitas dominicais e de encontros, havia um comprido banco construído de areia e cal estendendo-se num arco de círculo, muito provavelmente para servir de testemunha aos mais calorosos namorados ou aos mais admiradores e sonhadores de outrora, como atesta alguma da mais bela poesia de Bernardo de Passos4!

«Recordações» (p.79)
«A Fonte» (p.109-111)
«A Fonte» (p.243-245)

 

Bibliografia

DUARTE, Afonso da Cunha, 2006, Memórias – São Brás de Alportel. Vol. I, Igreja e Instituições Religiosas. Edição Casa da Cultura António Bentes, Faro.pp.376-378.

KHAWLI, A., SILVA, L. F. da e FERNANDES, M. A, 2007, A Viagem de Ibn Ammâr de São Brás a Silves. Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, São Brás de Alportel.

LOURO, M. F. do Estanco, 1996, O Livro de Alportel. Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, São Brás de Alportel. pp.55-56 e 346-347.

PASSOS, Bernardo de, 1982, A Obra Poética de Bernardo de Passos. Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, São Brás de Alportel. pp.79; 109-111 e 243-245.

SILVA, Luís Fraga da, 2002, São Brás de Alportel na Antiguidade. Edição Campo Arqueológico de Tavira, Tavira. pp.79-82.


Síntese Informativa da Responsabilidade do Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de São Brás de Alportel

1 Blasius e São Brás são a mesma pessoa, mas uma forma é a antiga, latina, e a outra é a moderna, portuguesa. São Brás cujo culto se associa a nascentes ou fontes, de propriedades curativas, junto a caminhos e lugares de trânsito pecuário. O seu dia, 3 de Fevereiro, corresponde a uma das datas mais importantes do calendário pré-romano, que se manteve no cristianismo popular como festa de bênção de gados.

2 A Fonte Santa ainda se localiza no referido local, apesar de já não estar visível por a terem destruído e entulhado, na década de 70 do século XX!

3 O topónimo poderá ter surgido em época paleo-cristã (séculos VI-VII), perdurou em época islâmica (Sanbras) e chegou aos nossos dias sob a forma como o conhecemos (São Brás).

4 In, A Obra Poética de Bernardo de Passos. Edição Câmara Municipal de São Brás de Alportel, São Brás de Alportel, 1982 (2ª Ed.).

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