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A "Calçadinha" de São Brás de Alportel

Calçadinha de São Brás de Alportel

Actualmente um dos ex-libris de São Brás de Alportel, a “Calçadinha” de São Brás de Alportel seria uma via que integraria a rede viária romana. Partia da cidade de Ossonoba (Faro), dirigia-se para norte, passaria pelas villae romanas de Milreu (Faro) e de Vale do Joio (S. Brás/ Faro) e cujos vestígios arqueológicos podemos encontrar ao longo de dois troços de interesse ímpar.

Ilustração de Calçada RomanaEste antigo caminho parece ter origem em época romana. Associados a segmentos da sua provável estrutura original, encontram-se também as remodelações do século XIX, provavelmente ordenadas pelo Bispo D. Francisco Gomes do Avelar. Durante a ocupação romana esta via saía da cidade de Ossonoba (Faro) e dirigia-se para Norte, passando pelas villae romanas de Milreu (Faro) e de Vale do Joio (S. Brás/ Faro).

O calcetamento terá sido aplicado, para vencer os obstáculos naturais, em zonas de declive acentuado com solos de difícil trânsito e irregulares que seriam facilmente alterados pelas torrentes das águas pluviais ou por outros agentes erosivos.
Restam conservados dois troços, designados por A e B, separados entre si por alguns metros outrora pavimentados, mas hoje danificados.

As recomendações do referido Bispo para a construção de estradas foram identificadas, sobretudo, no Troço A e caracterizam-se pelo lajeado geométrico composto por pedras de pequena/média dimensão e um eixo central delimitado por pedras em cutelo (margines), do qual saem linhas perpendiculares que formam quadrículas, divididas obliquamente em triângulos rectângulos.

As características técnicas acima descritas são visíveis em alguns segmentos do Troço B, mas a peculiaridade deste reside no que resta da construção empregue semelhante à das calçadas romanas, observando-se a existência de um lajeado de média/grande dimensão.

Na proximidade desta via foram descobertos vestígios arqueológicos do período romano (finais do século I ao IV-V d.C.) que podem ser interpretados como uma estação viária (mutatio), pequena instalação destinada ao descanso e abastecimento dos viajantes e/ou troca de cavalaria no decorrer das viagens.

  • Troço A

    Fotografia do Troço A da CalçadinhaO percurso da “Calçadinha” desenvolve-se por uma extensão total de
    1480 metros, percorrendo um pequeno vale inserido a Sul, ao qual é sobranceira uma zona mais elevada onde está hoje implantada a Igreja Matriz. Actualmente restam conservados dois troços, designados por A e B, separados por alguns metros outrora pavimentados, mas hoje danificados.

    A “Calçadinha” foi uma obra que representou, à época, um grande investimento técnico, financeiro e de mão-de-obra que configura a execução de um programa de obras públicas. Esta antiga estrada apresenta um lajeado de características diversas que evidencia a sua utilização em várias épocas.

    Estruturalmente, os troços postos a descoberto diferem entre si.

    No troço A, com cerca de 100 metros de extensão, observa-se um calcetamento que corresponde às remodelações do século XIX, provavelmente ordenadas pelo Bispo D. Francisco Gomes do Avelar. Tecnicamente apresenta um lajeado geométrico, composto por pedras de pequena/média dimensão e um eixo central delimitado por pedras em cutelo, de onde saem linhas perpendiculares que formam quadrículas, divididas obliquamente em triângulos rectângulos.

    Estas remodelações, que tiveram por base as recomendações para a construção e reparação de estradas do referido Bispo, foram contemporâneas da reorganização da rede viária nacional, com a criação de estradas reais, utilizando, muitas vezes, troços de vias romanas pré-existentes.

    No caso particular da “Calçadinha”, essas obras foram efectuadas de forma a manter uma boa acessibilidade entre os paços episcopais de Faro (morada oficial) e de São Brás de Alportel (residência de veraneio e repouso).

  • Troço B

    Fotografia do Troço B da CalçadinhaNo troço B, com cerca de 550 metros de extensão, observa-se um calcetamento provavelmente de origem romana. Tecnicamente apresenta um lajeado de média/grande dimensão, um certo abaulamento do empedrado superior delimitado por pedras em cutelo (margines) e uma largura que ronda os 8 pés (2,50m) conforme as prescrições legais estabelecidas à época.

    Este troço apresenta, associadas a segmentos da sua provável estrutura original, algumas reconstruções que poderão datar da época medieval, em particular as que não obedecem a nenhum padrão muito claro. Existem ainda segmentos que correspondem às referidas remodelações efectuadas no século XIX, bem patentes no troço A.

    Considerando as características técnicas que a “Calçadinha” evidencia e os antigos documentos que apresentam os principais itinerários entre as várias cidades, colocamos a hipótese deste antigo caminho fazer, originalmente, parte do itinerário XXI de Antonino, uma das mais importantes vias romanas do Sul da antiga província da Lusitânia. Assim, a “Calçadinha” seria uma via terrenae (caminho de abertura fácil e que contemplaria grande parte do seu traçado em terra batida), constituindo, provavelmente, uma ligação secundária entre a principal cidade do Algarve e sede de civitas – Ossonoba (Faro) – e a capital conventual – Pax Iulia (Beja).

    Na falta de troços empedrados, o seu provável trajecto pôde ser seguido a partir de uma análise toponímica e da localização de sítios arqueológicos conhecidos. Assim, a referida via saía da cidade de Ossonoba (Faro) pela estrada da Penha, passava pela Conceição, por Milreu (Estoi) e pelos Machados até ao sítio de Hortas e Moinhos, onde podemos encontrar os dois troços calcetados.

    A “Calçadinha” começou a ser gradualmente “abandonada” a partir de 1860, data em que foi construída a estrada moderna, sendo apenas utilizada como caminho rural, por pastores e alguns habitantes de sítios circundantes.

  • Valorização

    Para proteger, salvaguardar, estudar, valorizar e dar a conhecer o património histórico–arqueológico do concelho, um valioso tesouro legado pelas várias “civilizações” que habitaram este território ao longo dos tempos, desenvolveram-se acções de valorização patrimonial, didácticas e turísticas. A “Calçadinha” constituiu, deste modo, “o ponto de partida” para o estudo e para a descoberta do passado do concelho.

    Trabalhos de valorização da CalçadinhaOs trabalhos de valorização da “Calçadinha” incluíram a limpeza e remoção da vegetação e de terras que ao longo dos tempos se acumularam sobre a via, trazendo de novo à luz do dia a calçada existente. Procedeu-se também à colocação de placas informativas ao longo do percurso, para que o visitante possa usufruir de uma informação adequada, a nível arqueológico, histórico, ambiental e geológico.

    Os trabalhos arqueológicos, vocacionados para uma atitude de sensibilização junto da população mais jovem deste concelho, permitiram o fomento de actividades de cariz educacional e pedagógico, através de programas educativos de ocupação de tempos livres, de visitas guiadas, da investigação contínua, de Palestras e Conferências, do restauro de materiais arqueológicos e da realização de material de divulgação. O arranjo urbanístico do acesso ao local, a colocação de sinalética direccional e turística, bem como a requalificação paisagística contribuíram para valorizar este arqueo–sítio e incentivar à sua visita e imbui-la na identidade cultural.

    Parta à descoberta desse admirável conjunto “Património e Natureza”, um passeio numa harmoniosa e esplêndida paisagem que merece especial e destacada referência, que o Município de São Brás de Alportel o convida a “conhecer”…

    Conhecer o passado é uma tarefa tão surpreendente como conhecer as estrelas. E se admitirmos que as obras de arte podem ser dispostas numa série temporal. (…) a sua sequência fará lembrar uma órbita.(KUBLER, 1990, 34)

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