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À conversa com Andrew e Jackie Clarkin

Nesta edição de outubro, damos a conhecer Andrew Jackie Clarkin, mais um extraordinário exemplo da integração na comunidade de São Brás de Alportel

Andrew e Jackie Clarkin nasceram, casaram e viveram na Irlanda durante seis décadas… Mas tinham dentro de si o desejo de viver a reforma em Portugal... O desejo concretizou-se e há quatro anos vivem no Corotelo, num bonito sítio do concelho de São Brás de Alportel.

Na Irlanda, Andrew era diretor de uma empresa de pinturas e Jackie secretária e dona de casa. Juntos, criaram três filhos em Greystones, perto de Dublin. Portugal foi sempre o local de eleição para as férias de família.

Completados 40 anos de casamento e chegado o momento da reforma, o casal decidiu abrir um novo capítulo nas suas vidas e mudar-se de “malas e bagagens” para São Brás de Alportel, como explica Jackie.

Primeiro, testaram vários locais. Gostaram muito da Nazaré, contam que o clima era muito parecido ao irlandês. Rumaram mais a sul e, já no Algarve, procuraram um lugar para morar tanto a Sotavento como a Barlavento. São Brás de Alportel acabaria por ser o lugar de eleição.

Jackie e Andrew sabiam que queriam viver em Portugal, com e como os portugueses, mais próximos da zona rural e mais genuína e longe da azáfama das zonas litorais turísticas algarvias.

Em 2014, compraram uma casa, já com 120 anos, localizada no Corotelo, que tem vindo a ser adaptada às suas necessidades.

Sentem-se completamente integrados, com amigos portugueses e estrangeiros residentes, e dão como exemplo os grupos de caminhadas que integram, as atividades e eventos culturais que frequentam no concelho e na região e até os almoços com os vizinhos portugueses.

O casal conta que nos primeiros tempos a integração foi mais fácil porque se inscreveram nuns passeios que faziam a fusão entre a cultura, a natureza e as tradições. Passeios que lhes proporcionaram maior conhecimento sobre as tradições e sobre a cultura local e onde conheceram de imediato muitos dos que viriam a ser os seus novos amigos.

“A maneira como as pessoas vivem cá, em comparação com a Irlanda, é muito mais calma. Quando envelhecemos é melhor assim”, comenta Andrew observando que a Irlanda é pouco apelativa para os mais velhos porque o clima não é apelativo para atividades ao ar livre e o ritmo está pensado para os mais novos.

O seu encanto pelo Algarve, pela qualidade de vida e pela forma de estar portuguesa, conseguiram atrair também o irmão de Jackie que acabou por deixar a casa que tinha comprado em Espanha para morar num concelho vizinho.

Apesar de admitirem que muitos amigos estranharam a decisão de virem morar para Portugal e que estão à espera do seu regresso, Jackie e Andrew estão satisfeitos e sabem que contam com o apoio da família que os visitam várias vezes ao ano.

Jackie explica que não se sentem muito distantes da família e dos amigos: “É tão próximo, duas horas e meia, três de viagem, com vários voos diários e baratos diretos a partir de Faro”.

Quanto a melhorias que gostassem de propor no concelho, dizem que não têm nada a sugerir porque consideram que o concelho tem vindo a ter um bom ritmo de melhorias e desenvolvimento de projetos.

Ambos dedicam tempo à culinária e são apreciadores de diferentes tipos de cozinha. Gostam da comida tradicional portuguesa e aprenderam a preparar alguns pratos portugueses. Dão como exemplo o “arroz português”, como chamam ao arroz feito com refugado, cenoura, pimentos e coentros. Quando foram desafiados a dizer alguns pratos irlandeses que gostariam de ensinar aos portugueses, responderam: irish brown bread (pão integral irlandês) e potato bread (pão de batata).

“Cada ano que passa é melhor! Sabemos mais, o nosso português está melhor, sabemos mais sobre a cultura, temos mais amigos e a qualidade de vida é muito melhor!”, conclui Andrew Clarkin.

São Brás de Alportel, outubro de 2018

Este espaço resulta da colaboração do Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes, integrado no Centro de Apoio à Comunidade do Município de São Brás de Alportel.