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À conversa com Judy Home

No nono mês do calendário, damos a conhecer Judy Home, mais um bom exemplo de integração na comunidade de São Brás de Alportel, cada vez mais intercultural.

Natural de Toronto, no Canadá, a professora de música e examinadora do Conservatório de Música de Toronto, começou a vir passar férias a São Brás de Alportel há cerca de 12 anos.

Acompanhada pelo marido, as férias numa casa arrendada começaram a ser cada vez mais longas até que começaram a passar cá os invernos.

“Gostávamos do estilo de vida”, recorda, à medida que conta que há três anos acabaram por se mudar definitivamente para o Centro Histórico de São Brás de Alportel. A família e os amigos perceberam que esta mudança era algo que ambos queriam muito, aceitaram até porque não era difícil conseguir viagens entre os dois países.

A situação da pandemia provocada pelo COVID-19 é atualmente motivadora de receio e está a dificultar as visitas, mas Judy, que entretanto enviuvou, diz-se convicta da decisão tomada…

As pessoas muito amigáveis, como nos relatou; a diversidade de restaurantes e a segurança que sente no concelho a qualquer hora do dia, foram elementos decisivos para a sua escolha e aspetos que continua a valorizar.

Com o agravar do estado de saúde do marido, Judy teve contacto com os serviços de saúde da região que na sua experiência foram “excelentes”. Já os processos de obtenção de autorização de residência e da carta de condução foram mais complicados.

A música continua a ser uma presença na sua vida… Judy costuma tocar nas inaugurações das exposições do grupo fotografia do Grupo dos Amigos do Museu, que integra.

O Centro Histórico tem agora um espaço no seu coração e por isso olha-o com cuidado e diz ter receio que a velocidade com que se conduz nesta zona onde vivem muitos idosos e onde a estrada se enrosca nas casas possa motivar algum acidente. Com vista à criação de orgulho e sentido de comunidade, Judy sugere que se criasse uma espécie de “apadrinhamento” das árvores de cada rua para que os seus padrinhos as pudessem regar e zelar pelas mesmas.

Antes da pandemia era frequentadora assídua das Piscinas Municipais Cobertas, um exercício que anseia por retomar e confessa que gostaria que as Piscinas Municipais Descobertas tivessem um horário reservado para adultos que queiram praticar a natação sem a “lufa-lufa” dos jovens que ali convivem durante as férias de verão.

A descoberta da vastidão da cultura portuguesa tem sido contínua e foi de forma “inesperada” arrebatada pela poesia portuguesa que diz ser muito profunda. Apesar de já relativamente fluente a falar português, que continua a aprender, diz que ainda não chega para ler a poesia no idioma original.

“No Canadá penso que não temos esta profundidade cultural”, comenta garantindo não sentir falta de nada do seu país natal… nem da neve!

São Brás de Alportel, setembro de 2020

Espaço da responsabilidade do Município de São Brás de Alportel, sob coordenação do Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes, localizado no Centro de Apoio à Comunidade. Textos: Sofia Silva / Carmen Macedo

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