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À conversa com Dietmar Ochsenreiter

Nesta edição damos a conhecer Dietmar Ochsenreiter, mais um bom exemplo de integração na comunidade de São Brás de Alportel.

Dietmar nasceu na Baviera, no sudeste da Alemanha, em 1940, no auge da II Grande Guerra Mundial. Depois do percurso escolar, começou a trabalhar na administração pública. Aos 24 anos, foi encaminhado pela sua igreja para uma fundação francesa para fazer voluntariado em África. Na passagem pela França conhece uma jovem descendente de portugueses que cresceu em Marrocos. Um momento que daria início a uma história de amor…

Entretanto é enviado para a República dos Camarões e para a República Central Africana para apoiar cooperativas na comercialização de produtos produzidos no campo. Em 1965 regressa à França e casa com Cecília. O voluntariado não trazia rendimentos. Eram-lhes garantidos o alojamento, as refeições e as viagens. Mas naquela época das suas vidas era o suficiente para poderem embarcar numa “aventura incrível”.

Acabam por regressar à Alemanha em 1967. Ali nasceram dois dos seus três filhos.

Passados três anos, a rudeza do clima dos Alpes e a falta de sol começam a afetar a saúde de Cecília. “Decidimos ir à busca do sol”, conta, acrescentando que foi assim que decidiram vir morar para o Algarve, onde Cecília ainda tinha familiares.

Numa época em que os portugueses saiam de Portugal para “ganhar a vida”, muitas vezes com destino à Alemanha, a família de Dietmar achou que estavam a cometer uma loucura!

Em 1970, a família Ochsenreiter fixa-se em Almancil onde Dietmar cria o seu próprio negócio de horticultura. Recorda que foi dos primeiros cultivadores a dedicar-se ao cultivo de morangos e meloas. Produtos tão raros que até eram vendidos à unidade e não ao quilo!

O francês que usava para comunicar com a esposa ajudou-o a adaptar-se e a aprender a falar português e conta que foram muito bem-recebidos.

A integrar-se numa nova cultura, conta que se habituou a comer caracóis e peixe de mar. “Foi muito bom”, conta explicando que tanto na Alemanha como em África só tinha acesso a peixe de rio.

Entre 1989 e 2015 muda-se com a família para o Alentejo para ser sócio-gerente de uma herdade na altura com terra inculta. Hoje, essa herdade produz vinho, amêndoas, alfarrobas e azeite.

Um projeto bem-sucedido e do qual se retirou porque juntamente com a esposa começaram a preparar a “velhice”. Começaram então à procura de um local afastado da confusão das grandes cidades, de clima ameno e que permitisse fazer as tarefas do dia-a-dia a pé.

“Aqui as pessoas não são anónimas e eu também não sou”

O Centro Histórico de São Brás de Alportel revelou-se o local ideal. Encontraram uma casa antiga que recuperaram e onde Dietmar ainda vive hoje, passados três anos desde que enviuvou.

Satisfeito com a escolha, lamenta a construção de mais uma grande superfície comercial na vila e considera que deveria haver mais cuidado com os peões e com as pessoas que circulam de bicicleta no Centro Histórico.

Para se integrarem na comunidade inscreveram-se nos grupos dos Amigos do Museu do Traje e na Universidade Sénior e começaram a frequentar aulas nas piscinas municipais cobertas.

 

Passados quase seis anos, Dietmar diz-se feliz e conta que gosta muito das festas no Jardim da Verbena e dos eventos que se realizam no Centro Histórico, porque lhe dão mais vida. Conta que assistiu à requalificação do Largo de São Sebastião, da Rua Gago Coutinho e da Avenida da Liberdade e que gostou de ver a criação do Parque das Amendoeiras, até porque gostaria de ver mais espaços verdes e árvores na vila. Aliás, gostava de ver reativado o programa das “Janelas Floridas” para que as pessoas embelezassem as suas casas e por essa via embelezassem a vila!

“É o sítio ideal. Estou confortável aqui”, conta frisando que gosta da proximidade entre as pessoas. “Aqui as pessoas não são anónimas e eu também não sou”, conclui.