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À conversa com Michael Kirrane

Nesta edição damos a conhecer Michael Kirrane, mais um bom exemplo de integração na comunidade de São Brás de Alportel.

 

Michael Kirrane nasceu há 72 anos em Davyhulme, Manchester, no Reino Unido. Depois de ter concluído o curso superior em Londres, viveu durante quatro anos em Bruxelas, na Bélgica, e mais dois anos na Alemanha. Regressou, entretanto, para Bruxelas onde viveu os 40 anos seguintes.

A sua vida profissional foi dedicada às novas tecnologias e à programação informática, tendo-se tornado especialista em comunicações de informação tecnológica e consultor na área da segurança de comunicações tecnológicas e foi presidente de uma pequena empresa tecnológica em Bruxelas.

A primeira visita a Portugal aconteceu há mais de 40 anos. Michael conta que estar em Portugal sempre foi agradável, à exceção de uma vez que foi com a esposa Jo Kirrane a uma linda praia ventosa em Aveiro. “Não tínhamos percebido que o vento não interrompe a força do sol e quando demos por nós eramos o típico par de turistas vermelhos (com um escaldão). Lição aprendida”, comenta.

Após vários anos a pensar sobre o local onde queriam viver a reforma, perceberam que a maior parte dos amigos estavam a sair da Bélgica quando se reformavam. Uns para o Reino Unido, outros para os Estados Unidos da América. O Algarve solarengo, de clima quente, com pessoas simpáticas, com boa gastronomia, taxas de criminalidade baixas e um excelente serviço de saúde já estava na mira do casal. “A Bélgica é um bom lugar para viver e trabalhar. Mas para a reforma é muito chuvosa e os impostos são muito altos”, acrescenta Kirrane.

Há pouco mais de um ano estiveram em Cabanas de Tavira à procura de uma casa que pudessem comprar e transformar no seu novo lar. “Era inverno e a cidade estava deserta. Estou certo de que é um local mais movimentado no verão mas nós não estávamos interessados em ficar numa zona turística agitada”, recorda.

Visitaram muitas casas, sobretudo a leste e a norte de Faro e conta que quando chegaram a São Brás de Alportel rapidamente se empolgaram.

“São Brás de Alportel é uma pequena e agradável vila virada para a costa sem os indesejáveis estereótipos turísticos. Está a poucos minutos de carro da serra, perto do aeroporto, perto de Espanha e com os serviços necessários (hospitais, supermercados, lojas com atendimento em inglês, mercado municipal) e com um futuro que se prevê positivo. A regeneração do Centro Histórico é um excelente exemplo dos muitos projetos desenvolvidos localmente. É uma vila portuguesa que acolhe os estrangeiros que a visitam assim como para os que nela vivem e se juntam à comunidade”, explica Michael.

Apressaram-se então a vender a casa de Bruxelas e durante o processo de venda regressaram a São Brás de Alportel, onde ficaram alojados num Bed&Breakfast dos arredores da vila. Contaram com a ajuda de Calvin da imobiliária ACPS para encontrar a casa ideal que preenchesse os requisitos que procuravam dentro do orçamento que tinham disponível.

A família e os amigos viram com bons olhos a escolha do casal que apesar de ter sido assíduo em São Brás de Alportel no último ano, mudou-se oficialmente para o Corotelo há cerca de dois meses.

Agora com um grande jardim, Michael espera cumprir o seu desejo de ter uma vida mais amiga do ambiente, de uma forma que diz que não seria possível no norte da Europa.

Michael diz ter plena consciência de que a pandemia e os confinamentos colocaram a vida social do concelho em pausa. “O melhor que conseguimos agora é trocar algumas palavras quando vamos às lojas ou ao mercado, mas tenho a certeza que num futuro próximo os cafés, bares, restaurantes, museus e outros espaços públicos vão reabrir e a vila voltará a vibrar como antes da pandemia”, afirma admitindo estarem ansiosos por esse momento até para poderem integrar grupos e atividades.

“Gostava de ver a Feira das Velharias no Largo de São Sebastião e que aos domingos o Largo ficasse fechado ao trânsito para que os bares e restaurantes pudessem mover mesas na rua e talvez de ter ali alguns músicos e artistas a mostrar e vender os seus trabalhos a par dos produtores locais”, refere acrescentando que seria interessante que uma vez por mês, dependendo do tempo, as luzes da cidade fossem apagadas mais cedo para que as pessoas pudessem apreciar o céu estrelado.