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Dora Nunes Gago

Uma são-brasense por terras de Macau

Venha connosco conhecer os são-brasenses, espalhados pelos 5 continentes!

 

 

Dora Nunes Gago

 

Na quarta etapa da nossa viagem, vamos até Macau, para conhecer Dora Nunes Gago, uma são-brasense a quem a paixão pelas letras e pelo ensino aliada a um espírito aventureiro tem levado a correr o mundo, enquanto “espalha” a língua portuguesa.

 

Dora Nunes Gago

Em junho de 1972, o Hospital de São Brás de Alportel via nascer uma defensora da língua portuguesa apaixonada pela literatura: Dora Nunes Gago. Criada no Peral, ali fez o ensino primário, que recorda com saudade… e lembra também os tempos de escola no Colégio de São Brás de Alportel.

Cedo nasceu a vocação para ser professora a par do gosto pela escrita e pela leitura. Aos 12 anos começou a colaborar com os jornais “Notícias de S. Braz” e “O Sambrasense” e recorda com carinho a sua colaboração na Rádio Clube S. Brás.

Em 1990, participou num concurso promovido pela Comissão dos Descobrimentos Portugueses. O seu texto sobre São Brás de Alportel saiu vencedor e proporcionou-lhe a sua primeira viagem, um cruzeiro que passou por locais como as ilhas Canárias, Madeira, Casablanca e Rabat… No ano seguinte, concorreu novamente e… mais uma vez, ganhou o prémio. Desta feita, o prémio foi uma viagem de 10 dias a Macau, Hong-Kong e Londres. Foi o seu batismo de voo!

“Macau, nessa altura, deixou-me fascinada. Foi o primeiro contacto com uma realidade completamente diferente da nossa”, explica apontando como curioso que anos mais tarde esteja a dar esta entrevista num gabinete da Universidade de Macau onde é atualmente diretora do departamento de português. Trata-se, na verdade, de um dos maiores departamentos de português do mundo, com 35 professores a dar aulas e dois centros: um de investigação e outro de ensino.

Após o ensino secundário, Dora entra na Universidade de Évora onde se licencia em Português e Francês. Uma vez formada, começa a dar aulas no ensino secundário. Em 2000, faz um mestrado em Estudos Literários Comparados na Universidade Nova de Lisboa e em 2001 concorre aos Leitorados do Instituto Camões, instituto que promove e coordena o ensino da língua portuguesa em universidades de todo o mundo. Foi escolhida para abrir o leitorado de Português na Universidade da República Oriental do Uruguai, em Montevideu.

“Foi uma experiência excelente, mas curta”, conta explicando que a crise económica, política e social que se fez sentir encurtou a sua experiência que, apesar de tudo, lhe permitiu conhecer parte da América do Sul e fazer amigos para o resto da vida. Recorda os uruguaios como extremamente cultos.

Regressa a Portugal para dar aulas na secundária de Viana do Alentejo, mas o gosto pelo ensino universitário já se tinha instalado. Em 2006 conclui o doutoramento em Literaturas Românicas Comparadas, pela Universidade Nova. Em 2009, torna-se investigadora de pós-doutoramento financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia na Universidade de Aveiro e, em 2011, segue para os Estados Unidos da América para participar numa investigação sobre as questões de exílio e a diáspora norte-americana. Entretanto, candidata-se a uma vaga na Universidade de Macau onde começou a trabalhar em fevereiro de 2012.

Chegou a um Macau diferente, já após a transferência de soberania de Macau de Portugal para a China. “A diferença foi imensa. Foi uma transformação radical. Não tem nada a ver com Macau dos anos 90”, observa apontando como maiores diferenças a propagação de casinos e arranha-céus e a construção que já se estende ao ponto de ganhar terra ao mar.

Apesar da sua agenda sempre cheia, Dora ainda tem encontrado tempo e inspiração para escrever e conta já com nove livros publicados: dois de poesia, dois académicos e os restantes compostos por contos.

Mas Portugal e em particular, o Alentejo e São Brás de Alportel continuam, sempre presentes, no seu coração.  Mesmo antes da pandemia, as videochamadas eram a ferramenta de eleição para se manter em contacto com a família e os amigos. Agora, impedida de viajar a Portugal com a frequência habitual, as videochamadas são uma ajuda preciosa para manter contacto. Ainda assim… não resolvem as saudades dos cheiros do campo, como o cheiro do rosmaninho e das estevas, e também a saudade dos sabores tradicionais.

Não obstante, diz que em Macau encontra produtos portugueses com facilidade. Aliás, o pastel de nata tem tanto sucesso “por aquelas bandas” que até é uma atração turística.

Com facilidade em adaptar-se a diferentes contextos, Dora conta que tem aproveitado para viajar. “Macau tem sido um lugar de passagem”, observa admitindo que por isso teve de se habituar a perder a presença de amigos que foi e vai fazendo.

Uma experiência enriquecedora num local singular onde a cultura chinesa, muito diferente da portuguesa, se faz sentir. As pessoas são um pouco mais fechadas nas suas relações e nos seus grupos e existem hábitos que revelam respeito pelos mais velhos e/ou vulneráveis.

Uma curiosidade? Na Praça Camões, em Macau, as pessoas levam os seus pássaros a passear nas gaiolas e colocam as gaiolas seguras árvores para que os pássaros possam ter contacto com outros animais e com a natureza.

“Quando nos afastamos do nosso local de origem e conhecemos outros lugares, aprendemos a valorizar muito mais (…) dá uma nova perspetiva”, comenta. Entre as coisas que passou a valorizar mais está a simpatia e hospitalidade dos portugueses e a forma como integram os outros. “Portugal tem o complexo de não ser o suficientemente bom. Mas não é assim… é diferente”, conclui.

 

Bibliografia de Dora Gago:

  • Uma cartografia do olhar: exílios, imagens do estrangeiro e intertextualidades na Literatura Portuguesa (2020)
  • A matéria dos sonhos (2015)
  • Travessias, contos migratórios (2014)
  • As duas faces do dia (2014)
  • A oeste do Paraíso (2012)-ebook
  • Imagens do estrangeiro no Diário de Miguel Torga (2008)
  • A Sul da Escrita (2007) – galardoado com o Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca
  • Sete Histórias de Gatos em co-autoria com Arlinda Mártires (2005)
  • Planície de Memória (1997)

Publicou ainda contos e poemas em livros coletivos/antologias:

  • “A roleta da vida”, in Antologia de Contos Originais (2020);
  • “A água que ateou o fogo”, in Contos Assesta- A Água, (2019).
  • “O Ocaso da Vida”, in O País Invisível, Ed. Centro de Estudos Mário Cláudio, 2016.
  • “Uma História de Amor”, in Contos ASSESTA, Associação de Escritores do Alentejo, 2015.
  • “Eu devo o meu corpo à Terra”, in Alentejo Stories, (2013), entre outros.

  


 

Viaje pelo mundo à descoberta dos são-brasenses, em www.cm-sbras.pt

 

Texto: Sofia Silva – Gabinete de comunicação / Coordenação: Marlene Guerreiro

Caso deseje participar nesta iniciativa, contacte-nos: 289 840 019 / municipe@cm-sbras.pt