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Íris Alves Santos

Uma são-brasense por terras da Finlândia

Venha connosco conhecer os são-brasenses, espalhados pelos 5 continentes!

Íris Alves Santos

Na quinta etapa da nossa viagem, fomos até à Finlândia, para conhecer Íris Alves Santos, uma são-brasense, cuja curiosidade por conhecer outros povos e culturas a têm feito correr mundo.

 

Íris Santos nasceu em julho de 1978. Cresceu no Alportel rodeada pela família, vizinhos e amigos que ainda hoje sente como os mais próximos. Mesmo depois de ter conhecido e vivido em diferentes países, diz-nos que algumas das melhores recordações e memórias aconteceram na sua infância e adolescência vividas no Alportel e na Escola Secundária José Belchior Viegas.

 

O ensino secundário marcou-a, especialmente pelos amigos e pelos bons professores que teve. Recorda com especial carinho o Professor Domingos Guapo que diz ter sido a primeira pessoa a sensibilizá-la para as questões ambientais e económicas do sistema mundial… e admite que foi “uma excelente influência no que sou hoje em dia”, por exemplo no que respeita à investigação na área das políticas educativas que está a realizar e sem dúvida a este professor deve em grande parte a opção que tomou, saindo além-fronteiras, à descoberta do mundo.

 

Antes de entrar na licenciatura em educação de infância na Universidade de Évora, Íris ainda teve oportunidade de trabalhar em regime de part-time no Centro de Tempos Livres da Santa Casa da Misericórdia. Ai começou o seu interesse pelas crianças.

 

Com familiares e amigos imigrados, começou desde cedo a ter curiosidade de conhecer outros locais e outras culturas. Por isso, sempre que se apresentou uma oportunidade de viajar, aproveitou!

 

Entre 2001 e 2002 frequentou um semestre em Namur, na Bélgica, tendo sido das primeiras alunas da Universidade de Évora a participar no programa ERASMUS. Entre 2003 e 2005, esteve em Boston, nos Estados Unidos da América, através do programa de intercâmbio cultural Au Pair. Uma experiência que lhe permitiu conhecer o país e frequentar vários cursos de línguas e ainda um curto curso de psicologia social na conceituada Universidade de Harvard.

 

Em 2006, decide participar durante dois meses num voluntariado no distrito de Chongoene, em Moçambique. Nesse mesmo ano começa a trabalhar como educadora de infância contratada no serviço público e também no privado. Entretanto, foi colocada na ilha da Madeira, onde “mais ou menos por escolha” permaneceu durante três anos.

 

Até aqui, Íris encarou todas as viagens e aventuras pessoais e profissionais de forma descomplicada até porque sabia que eram temporárias. Contudo, admite que em 2012 a nova mudança a afetou mais, especialmente porque em termos emocionais não estava preparada para sair de Portugal.

 

Mas com a crise económica portuguesa a acentuar-se e depois de estar seis meses sem trabalho, Íris acaba por enviar currículos para o estrangeiro. Em julho de 2013, é admitida num Jardim de Infância internacional, na cidade de Tampere na Finlândia, onde trabalhou quatro anos. Entre os novos colegas, houve um que se destacou e com quem acabou por casar. Surge a oportunidade de trabalhar na Universidade de Tampere como assistente num projeto de investigação focado na análise da qualidade de educação no Brasil, China e Rússia.

 

 Atualmente, está a desenvolver o seu próprio projeto de investigação: está contratada como investigadora de doutoramento na Facultade de Educação e Cultura da Universidade de Tampere. O Programa está a ser feito em simultâneo com o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, onde é estudante em regime de cotutela sobre a transferência de políticas educativas e dá aulas na universidade Finlandesa.

 

A adaptação foi mais fácil no primeiro ano até porque na Finlândia as estações do ano são muito vincadas e era sempre maravilhoso ver as mudanças que tudo em seu redor. Íris conta que se tornou-se mais complicado quando a rotina se instalou, até porque os finlandeses apesar de muito respeitadores dos direitos dos trabalhadores e da vida pessoal, são mais fechados, menos espontâneos e não é fácil desenvolver relacionamentos mais pessoais. A viver num país que completou 100 anos em 2017 e pouco apostado no turismo, diz que muito do tempo de lazer é passado em caminhadas e passeios de bicicleta nos trilhos de natureza.

 

“Certamente que ter amigos como os que tenho em Portugal, é muito mais difícil aqui”, sublinha.

 

As saudades, confessa que são muitas. “Gostava de passar mais tempo aí, mas por enquanto não é possível”, comenta explicando que vai mantendo contacto com a família e os amigos através das redes sociais. “Já ninguém escreve cartas”, graceja admitindo que de vez em quando a mãe manda umas encomendas surpresa!

 

Sempre que possível vem a São Brás de Alportel, viagens normalmente marcadas para o verão e pelo Natal. O ano de 2020 foi muito difícil e atípico e em setembro acabou por marcar abruptamente uma viagem para Portugal. “As saudades já não davam para mais” confessa explicando que ao ver a evolução da pandemia ficou com receio de que as fronteiras estivessem fechadas na altura do Natal e não quis arriscar.

 

Por mais que ande pelo mundo, São Brás de Alportel continua a ser o seu lugar. “Quando chego a São Brás é um alívio”, diz contando que a primeira coisa que faz é dar uma volta pela casa e depois vem à vila para tomar um café. Para explicar esta rotina remete para uma frase que leu algures: “às vezes vou à janela, ver se o mundo ainda lá está”. Como se estivesse a confirmar que o seu mundo ainda existe!

 

Regressar a Portugal de uma forma mais definitiva não deverá acontecer pelo menos nos próximos 10 anos, uma vez que está a construir a sua carreira académica e tem melhores condições de trabalho na Finlândia. Contudo, o percurso inclui um período de internacionalização que lhe poderá valer uma breve estadia em Portugal entre outros países.

  


 

Viaje pelo mundo à descoberta dos são-brasenses, em www.cm-sbras.pt

 

Texto: Sofia Silva – Gabinete de comunicação / Coordenação: Marlene Guerreiro

Caso deseje participar nesta iniciativa, contacte-nos: 289 840 019 / municipe@cm-sbras.pt