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Eduardo Eusébio

O defensor da língua e cultura portuguesa na Califórnia (EUA)

Venha connosco conhecer os são-brasenses, espalhados pelos 5 continentes!

Eduardo Eusébio

Na sexta etapa da nossa viagem, atravessamos o oceano para visitar Eduardo Eusébio nos Estados Unidos da América.

 

Estávamos nas vésperas do Dia de Natal de 1944 quando no sítio da Fonte do Mouro, nascia Eduardo de Sousa Eusébio. Na altura ninguém sonhava que tinha acabado de nascer um acérrimo defensor da língua e da cultura portuguesa além-fronteiras cujo trabalho viria a ser reconhecido nacional e internacionalmente.

Os estudos começaram na escola da Menina Sousinha (Alxandrina Negrão), mais tarde frequentou o colégio de São Brás de Alportel, ainda nas instalações provisórias, frente à Igreja Matriz. Ali fez muitos dos seus amigos do peito. Conta que sempre teve muito interesse pelos estudos e que os encarava como uma oportunidade para construir uma vida diferente. Por isso, terminado o 5º ano, começa a ir na carrinha do Dr. Belchior para Olhão, onde podia tirar o 7.º ano.

A vontade de estudar e a curiosidade de conhecer o mundo que existia para lá de Portugal, levou-o a aceitar a proposta para ir estudar inglês na Califórnia, nos Estados Unidos da América. Estávamos em 1963, em pleno Estado Novo, o que tornava o processo de emigração muito complicado, uma verdadeira aventura que levaria muitas páginas a descrever... Contudo, persistiu e conseguiu o desejado visto e passaporte. A 30 de dezembro de 1963, aos 19 anos, Eduardo viaja pela primeira vez de avião, sozinho, rumo a um país e a uma cultura diferentes.

Conta que foi bem-recebido pelos americanos que se mostravam curiosos, mas garante que ainda não os chegou a compreender bem! Não obstante, confessa que “o processo de integração, ou melhor, de adaptação foi penoso. Não há integração, adaptação sim”.

“Nunca deixei de ser português, nem são-brasense!”, assegura, enquanto recorda o impacto que foi sair de Portugal que estava tecnologicamente muito atrasado e chegar à América e ver as televisões a cores, os carros grandes, a água canalizada e tantas outras tecnologias.  “Coisas que hoje não impressionam ninguém”, observa.

Seguiu-se um percurso académico e profissional bem-sucedido sempre com as atenções dirigidas para a educação e para a defesa da língua e da cultura portuguesa.

Aos 24 anos foi convidado para ser professor assistente na Universidade da Califórnia em Davis.

Foi professor de português em universidades comunitárias, lecionou francês e espanhol no ensino secundário, teve vários cargos administrativos como diretor, reitor e superintendente de instituições de ensino secundário e universitário, colaborou com a Universidade dos Açores para preparar professores de português e até chegou a ser professor do conhecido ator norte-americano John Travolta que no filme “Phenomenon” (Fenómeno) tinha algumas falas em português. Eduardo conta que na altura sugeriu que a personagem portuguesa feminina se chamasse Micael,a como a sua esposa. Sugestão que foi aceite, tendo assim esta personagem sido batizada com o nome da mulher com quem está casado há 54 anos e que diz ser em tom de graça: “uma americana de S. Romão”, uma vez que foi para a América muito jovem.

Nos EUA, o casal viu nascer e crescer as suas duas filhas e os seus 4 netos a quem Eduardo explica que tem incutido o orgulho de ser português.

Foi também responsável pela fundação e coordenação ao longo de 43 anos, da Conferência Anual da Luso-American Education Foundation, evento realizado anualmente na Califórnia e dedicado à língua e à cultura portuguesas. Também na Califórnia, tem sido o coordenador das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Um currículo extenso que inclui ainda a colaboração em estudos e publicações de artigos na área cultural e do movimento associativo.

Modesto, diz que trabalhou muito, mas não com o objetivo de ficar rico, mas sim de fazer coisas para a comunidade. Acima de tudo, diz que o melhor contributo que quis dar à comunidade portuguesa residente nos Estados Unidos foi que soubessem adaptar-se e integrar-se, mas continuarem a honrar e ter orgulho de Portugal, do seu nome, do nome de suas famílias e da sua cultura.

Um trabalho relevante em prol da língua e cultura portuguesas que lhe valeu inúmeras distinções e condecorações nacionais e internacionais, inclusivamente a condecoração pelo Presidente da República com o Grau de Comendador da Ordem Honorifica do Infante Don Henrique, “por prestação de serviços relevantes a Portugal, no País ou no estrangeiro, ou serviços na expansão da cultura portuguesa, da sua História e dos seus valores”.

“No meu caso por serviços relevantes a Portugal, na expansão de cultura portuguesa, da sua História e dos seus valores no estrangeiro”, explica.

Estar longe de São Brás de Alportel valeu-lhe uma lição especial: aproveitar o momento que se está a viver e gerir as saudades.  Saudades, acima de tudo, dos amigos, mas também dos petiscos, das esplanadas do largo. “Também gosto de visitar a praça, é quase um ritual”, confessa.

“O Facebook é uma boa coisa. Mantem-nos em contacto com muitas pessoas”, comenta acrescentando que gosta de participar no Grupo São Brás * Memórias e de colaborar com os dois jornais locais.

Mas nada melhor do que uma visita à terra natal e à casa dos avós na Fonte do Mouro para matar mesmo as saudades e Eduardo regressa sempre que possível e faz questão de participar na “Procissão da Aleluia” e de passar cá um pouco do verão.

 

Na Adega Nunes com dois dois sambrasenses


 

Viaje pelo mundo à descoberta dos são-brasenses, em www.cm-sbras.pt

 

Texto: Sofia Silva – Gabinete de comunicação / Coordenação: Marlene Guerreiro

Caso deseje participar nesta iniciativa, contacte-nos: 289 840 019 / municipe@cm-sbras.pt