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À conversa com Luke Redmond

Nesta edição damos a conhecer Luke Redmond, mais um bom exemplo de integração na comunidade de São Brás de Alportel.

Luke Redmond nasceu em Kerry, no sudoeste da República da Irlanda há 26 anos, mas garante: “sinto-me são-brasense, apesar de ter nascido noutro país, há pessoas incríveis que me fazem sentir assim”.

Em 2003, a família passava as férias de verão no sul de Espanha… Antes de regressarem à Irlanda decidem então passar pelo Algarve e visitar uns amigos.

“Dessa visita, o sítio que me ficou na memória foi o Luís dos Frangos”, conta admitindo que ainda hoje os restaurantes são-brasenses estão na sua lista de locais preferidos do concelho. “Na minha opinião, alguns são dos melhores do mundo”, realça.

Entretanto, os pais queriam emigrar e ponderavam viver na Espanha, mas Luke diz que depois de terem visitado São Brás “gostaram tanto que decidiram encontrar uma casa para arrendarmos no ano seguinte”.

E assim foi, há 17 anos a família Redmond muda-se para São Brás de Alportel. Entretanto compraram casa no Cerro do Alportel que renovaram.

“É fora da vila, mas não é muito longe. Há muitos caminhos na zona para passear com os meus cães ou andar de bicicleta”, explica Luke acrescentando que a maior parte dos vizinhos são portugueses.

Luke tinha nove anos quando chegou a São Brás de Alportel e não sabia português. Diz que a professora e os colegas da escola do Alportel não falavam inglês, mas que o ajudaram muito. “Como não sabia português, aprendi logo com o sotaque de São Brás. Com o sotaque e o meu cabelo escuro, muitas pessoas pensam que sou português”, comenta.

“Nunca me senti excluído”, diz enquanto sublinha que teve professores incríveis nas escolas que frequentou no concelho, desde a primária até à secundária.

Foi na adolescência que começou a despertar o seu interesse pela música. Aos 15 anos começa a ter aulas de bateria em Faro numa loja/escola onde o que amigo Luís Oliveira frequentava aulas de guitarra. “Desde então, temos tido vários projetos e bandas juntos”, observa, confessando que sente que a música é a sua vocação. Além de tocar e compor, Luke produz também canções para outros artistas, organiza concertos e ajuda na produção de podcasts com a são-brasense Ana Eusébio.

“Sempre tive bons amigos em São Brás”, comenta, acrescentando que entre os que ainda moram no concelho e os que, entretanto, saíram continuam a combinar encontros e convívios.

Luke descreve o concelho como uma zona muito segura e com uma população amigável, mas admite que não seja assim para todos. “É um sítio progressivo, mas também tem o seu lado conservador. Existe discriminação por razões raciais e sexuais. Sinto que tive muita sorte em ser aceite em São Brás porque vejo que não é tão fácil para outras pessoas”, confessa.

Considerando que o concelho tem eventos “incríveis”, explica que tem colaborado com a organização do evento “Calçadas – a Arte sai à Rua” a quem deixa elogios: “eles dão-me muita liberdade para desenvolver projetos meus e convidar artistas de fora para participar no evento”.

Colocou novamente a música ao serviço da comunidade quando aceitou o desafio do Município para participar nos miniconcertos que eram publicados diariamente nas redes sociais do Município. “Achei a iniciativa muito interessante e era importante para a situação. Em tempos como o primeiro confinamento, em que tudo é diferente do normal, é essencial mantermos a comunidade unida”, observa. “Acho que foi muito importante que o município relembrasse à comunidade que tínhamos de nos ajudar uns aos outros e seguir as regras do confinamento. Às vezes a melhor maneira de passar uma mensagem assim é com a ajuda das artes e da cultura”, acrescenta.

Atualmente, está a fazer um voluntariado de um ano numa associação musical italiana onde está a construir pequenas guitarras que são enviadas para escolas de música no Burundi e para Cuba, criadas pela associação UpDoo World.