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À conversa com Gudrun Robinson

Nesta edição estivemos à conversa com Gudrun Robinson, mais um bom exemplo de integração na comunidade de São Brás de Alportel.

A artesã Gudrun Robinson nasceu em Thedinghausen, no norte da Alemanha e já vive em São Brás de Alportel há 33 anos!

Conta que a sua mãe era modista e as suas tias sempre se dedicaram ao tricot, ao crochet, entre outros trabalhos manuais e artesanais. Este contacto com a lã e os fios marcariam a sua vida para sempre. Inspirada por pinturas de arte moderna e pela natureza, tem vindo a criar as suas tapeçarias com uma estética própria que apresenta em exposições, feiras e outros certames dedicados ao artesanato.

Aos 18 anos emigrou para a Escócia onde viveu durante 11 anos. Ali casou com um escocês e trabalhou como secretária, local onde aprendeu de forma autodidata a arte de fiar manualmente. Quando o marido se reformou, encontrou uma casa no Corotelo que os cativou. “Ficámos apaixonados com a zona, com a natureza, com o sossego e com as pessoas”, conta.

“Quando cheguei ao Algarve, não tinha muitos conhecimentos da língua portuguesa. O que me ajudou foi ter tido aulas de espanhol e inglês na escola e na universidade na Alemanha”, recorda, acrescentando que o ter começado a participar em feiras de artesanato e a fazer as tarefas do dia-a-dia na vila a ajudou. Foi insistindo para falar português e ainda hoje o faz, apesar de as pessoas geralmente começarem a falar inglês com a ela porque pelos seus cabelos louros depreendem que é estrangeira. Mas mesmo quando lhe falam inglês insiste em responder em português!

“Sou são-brasense de coração. Esta é a minha terra!”

“Depois do falecimento do meu marido, comecei um negócio de alojamento local na minha casa. Hoje em dia estou reformada e mudei de casa para as Mealhas”, conta explicando que quis mudar para uma casa mais pequena.

“Durante estes 33 anos, participei em muitas Feiras da Serra em São Brás de Alportel, em Tavira e em Loulé, na Fatacil e na FIL em Lisboa. Também fiz várias exposições dos meus tapetes e tapeçarias aqui e em Lisboa”, conta.

Foi aliás na Fatacil que recorda com carinho o momento em que um são-brasense passou por ela e lhe disse: “Olá conterrânea!”. “Nunca me esqueci desta palavra”, confessa.

Sentindo-se em casa em São Brás de Alportel diz que aprecia o facto de conseguir ter acesso a tudo o que precisa no concelho. “Ainda é de um tamanho que permite encontrar vários amigos e pessoas conhecidas num passeio pela vila. Não somos anónimos. Os são-brasenses são muito simpáticos e é um prazer viver aqui”, sublinha.

Atualmente, tem um companheiro português. “Com certeza ajudou a aprender não só a língua, mas também a cultura”, observa.

O Museu do Traje é na sua opinião um sítio excelente para a integração dos imigrantes, mas receia que a predominância do idioma inglês dificulte a aprendizagem do português que considera ser importante para a integração e melhor entendimento da cultura e costumes portugueses.

No balanço destes anos de vida na comunidade são-brasense garante: “Sou são-brasense de coração. Esta é a minha terra!”.

 

São Brás de Alportel, Agosto de 2021

 

Espaço da responsabilidade do Município de São Brás de Alportel, sob coordenação do Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes, localizado no Centro de Apoio à Comunidade Textos: Sofia Silva / Carmen Macedo

Caso gostasse eu a sua história ou a história de alguém que conhece, fosse contactada nesta coluna, contacte-nos: tel. 289 840 019 / municipe@cm-sbras.pt