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Rui Botinas

O Chef são-brasense nos Países Baixos

Na sétima etapa da nossa viagem, atravessamos a Europa para ir visitar o Rui Botinas, aos Países Baixos.

 

 

Rui Botinas

 

Rui Botinas vive e trabalha na Holanda há já uma dúzia de anos. Cozinheiro formado pela Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve e praticante de snowboard e desportos radicais e motorizados, decidiu aventurar-se mais a norte da Europa, nos Países Baixos (Holanda), terra conhecida pela preferência dada ao uso das bicicletas como meio de transporte.

 

 Rui Botinas

“O espírito aventureiro e a antevisão da crise económica e financeira que a nossa pátria ainda (infelizmente) atravessa, foi o que me fez partir em busca de novos horizontes”, conta.

Inicialmente, partiu com a ideia de ficar por seis meses. “Os amigos (compadres) que tenho cá facilitaram-me a vida e ajudaram a dar os primeiros passos. Quase 12 anos depois ainda estou aqui”, explica. Garante que não foi um mar de rosas até porque quando chegou a Amesterdão, não sabia uma única palavra em neerlandês (holandês). O facto de em Amesterdão a maior parte das pessoas falam inglês, facilitou.

 

Discriminação é algo que considera que há em qualquer parte do mundo, mas diz nunca ter tido entraves. Deixa elogios ao rigor de funcionamento do país. “A pontualidade aqui é muito importante. Aqui as coisas funcionam e funcionam mesmo”, vinca, apontando que nos hospitais não há filas nem stress e que o sistema de segurança é eficaz. “Coisas que em Portugal podiam funcionar porque a gente também paga e, no entanto, não funcionam. É outra política. Aqui é uma monarquia e é um bocado diferente”, comenta.

 

Rui Botinas

Primeiro começou por trabalhar num restaurante português no famoso Red District. Passados cinco meses deixou o restaurante e começou à procura de novo trabalho que viria a ser num snack-bar israelita. Entretanto, um antigo colega convidou-o para ir trabalhar no restaurante de um Beachclub (clube de praia), a cerca de 30 quilómetros de Amesterdão para onde volta a trabalhar acabada a época baixa, desta vez, responsável por servir mais de 350 pessoas por refeição. Um trabalho pesado, de grande responsabilidade, a que se somavam as deslocações diárias que o levaram a procurar nova oportunidade. Os cinco anos seguintes foram passados a trabalhar como sub-chefe em três restaurantes de cozinha francesa, italiana e tailandesa do mesmo proprietário.

O cansaço de um ritmo intenso de trabalho motivaram-no a trabalhar durante um ano na área da construção com um amigo português. Contudo, a construção só funciona quando o clima é mais ameno e sentia falta das gorjetas para aconchegar o rendimento fixo. Em simultâneo, começou a trabalhar num restaurante aos fins de semana e acabou por ser convidado para trabalhar a tempo inteiro. É ali, num espaço que conjuga a comida japonesa com um ambiente retro com os jogos dos anos 80, que Rui trabalha há quatro anos e diz estar satisfeito.

 

Rui Botinas

 

Habituado à gastronomia portuguesa, diz que no início teve um “choque gastronómico grande”. “Os portugueses têm uma cultura gastronómica enorme”, diz, acrescentando que a qualidade dos alimentos também é diferente, razão porque procura mercados portugueses e turcos para encontrar alimentos que sejam também alimentados pelo sol. “Por exemplo, aí um tomate sabe a tomate. Aqui sabe a água”.

 

A mãe Cidália mima-o, por correio, com alguns produtos que por lá são caros e desprovidos de sabor como, por exemplo, o louro e os orégãos. Manda-lhe também de vez em quando uma “chouricinha” e uns bolinhos de amêndoa! Curiosamente, diz que consegue comprar sardinha ultracongelada pescada em Portugal a um preço mais barato do que o praticado por cá. Profissionalmente teve de se adaptar à cultura gastronómica dos Países Baixos que são particularmente conhecidos pelos seus queijos, como por exemplo: o Gouda e o Edam. A adaptação gastronómica, em termos profissionais, levou-o ainda a ganhar experiência com as gastronomias asiática, africana, oriental e centro-americana.

 

Rui Botinas

 

Mas a vida não é só feita de trabalho. Estar em Amesterdão permitiu-lhe visitar quase todos os alpes do Centro Europeu para praticar o seu desporto favorito: o snowboard.

 

Foi também em Amesterdão que Rui conheceu a namorada, também portuguesa. “Juntámos os trapinhos e cá estamos”, diz acrescentando entusiasmado que há dois anos o casal teve o seu primeiro filho.

 

As saudades de São Brás de Alportel são mais que muitas! Antes da pandemia costumava regressar pela Páscoa, em setembro “para trabalhar para o bronze” e no Natal para estar com a família. As novas tecnologias e as redes sociais ajudam a encurtar as distâncias com os familiares e os amigos mas não resolvem as saudades dos sabores…

“Este ano, em setembro com bicho ou sem bicho vamos!” a São Brás de Alportel, garante.

 

Em retrospetiva, diz que não se arrepende da experiência e que este tempo a viver fora o fizeram dar mais valor a “pequenos” pormenores como por exemplo: “a paz que se vive em São Brás de Alportel”.

 

Em videochamada vai se encaminhando até à garagem de casa para mostrar que ao pé da bicicleta tem a bandeira de São Brás exposta. Sobre voltar a Portugal? “É e será a meta final”, garante.

 

 


 

Viaje pelo mundo à descoberta dos são-brasenses, em www.cm-sbras.pt

 

Texto: Sofia Silva – Gabinete de comunicação / Coordenação: Marlene Guerreiro

Caso deseje participar nesta iniciativa, contacte-nos: 289 840 019 / municipe@cm-sbras.pt