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José João dos Santos Gomes

De quadrador na antiga Fábrica de Cortiça de Joaquim Mendonça, na Chibeira a Cônsul Honorário de Portugal, no Brasil.

Na nona etapa da nossa viagem, fomos até ao Brasil para conhecer o percurso do são-brasense José João dos Santos Gomes.

 

 

José João Gomes (ao centro), acompanhado da esposa (Seledyr) e do filho (Eusébio).

 

José João dos Santos Gomes nasceu em São Romão em 1943. Atualmente reformado, vive em Vitória, no estado do Espírito Santo, no Brasil, país para onde se deslocou com apenas 19 anos, em 1963.

Para trás ficaram os tempos de escola na Primária dos Vilarinhos e as aulas com a professora Zézinha, assim como o período em que trabalhou como quadrador na Fábrica de Cortiça de Joaquim Mendonça, na Chibeira.

Recorda que na época havia muito interesse em emigrar para a França, para a Austrália, Canadá, Estados Unidos da América e para a Venezuela. Mas o seu pai, José Gomes, acabou por partir para o Brasil após convite de um conhecido que lá tinha uma empresa de mármores.

Passados oito anos, José João chega ao Brasil acompanhado pela mãe, Alice Vitória, e pela irmã Flávia.

“No período inicial, as comunicações eram difíceis, tanto pelo radio como pelo correio. Ao longo do tempo as alterações de endereço quebraram a continuidade do relacionamento com os amigos de São Brás. As notícias de Portugal eram raras. A música era local e predominantemente norte-americana. A saudade era amenizada ouvindo rádio em onda curta de 11 e 13 metros”, recorda acrescentando que como a música portuguesa raramente passava nas rádios, gravava a rádio com música portuguesa em fita magnética para ouvir mais tarde.

Após quase seis décadas a viver no Brasil, recorda que especialmente no Natal sentia vontade de comer figos secos do Algarve. Encontrava figos de origem mediterrânica, mas não algarvios, com mais grainha e um sabor diferente que não o satisfazia.

“Em todo este tempo, apenas uma vez encontrei no mercado local figos de Portimão. Matam saudades, mas deixam a desejar. Aquele aroma e sabor de figos torrados algarvios são inesquecíveis!”, observa.

Em torno dos sabores, confessa que na terra do samba acabou por se render a outros sabores como as mangas, as banas, as goiabas, as jacas, entre outros frutos típicos. Mas gravados lhe estão o tempero regional do chouriço, os queijos, a aguardente de medronho, a amarguinha, a aguardente de figo e os figos maduros.

Confessa que tinha outros planos e contactou embaixadas de outros países, mas a sua experiência profissional e o seu conhecimento de línguas estrangeiras não lhe permitiram avançar.

“Gosto de elétrica, leitura e interpretação de circuitos elétricos que não são dependentes de domínio absoluto de idioma”, diz explicando que decidiu estudar nessas áreas.

“Durante o período estudantil, trabalhei em diversas empresas e registei empresa no ramo de mármores e granitos em sociedade com o meu pai”, acrescenta.

Como gostava da área da eletrónica, procurou oportunidade como auxiliar de um holandês que era técnico de eletrónica e que era responsável pela manutenção das televisões da Phillips.

Uma atividade a que se dedicava em simultâneo com os estudos, estando nesse período inscrito num curso de eletrónica por correspondência da escola norte-americana “National Schools”.

Como precisava de ter um comprovativo de formação profissional, aproveitou o curso de reparador de televisões que o instituto de formação profissional SENAI tinha lançado.

Quando termina o curso o departamento regional do SENAI estava a expandir-se e procurava mais instrutores profissionais. José João candidatou-se e foi admitido tendo trabalhado no SENAI até entrar na Universidade Federal do Espírito Santo, no estado vizinho do Rio de Janeiro, no curso de engenharia civil.

Em 1974 termina o curso e no ano seguinte casa-se com Seledyr, uma jovem estudante que conheceu na universidade, com quem tem um filho. A esposa começa a lecionar na área da psicologia na Faculdade da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), José João começa a trabalhar como engenheiro orçamentista numa empresa de construção civil.

Formado em engenharia civil e de segurança industrial e com uma experiência profissional diversificada e rica, passa a representar a sua categoria profissional na Federação das Indústrias do Espírito Santo, tendo mais tarde integrado o Conselho Diretor do SENAI.

Vereador de Vitória Manuel Miranda e esposa, que me outorgou o título de Cidadão de VitóriaEm 1988 foi nomeado Cônsul Honorário de Portugal, por indicação do seu antecessor, o comendador António Joaquim Baraona. Nessa qualidade, teve oportunidade de participar em diversas iniciativas, entre elas ter ajudado a preparar a visita da Ministra da Saúde, Maria do Céu, num encontro sobre oncologia.

Em 2000, foi convidado a participar e a discursar no dia da Abertura das Comemorações dos 500 anos da descoberta do Brasil que se realizaram na Universidade Federal do Espírito Santo.

Admite que o momento o emocionou muito. “Na minha cabeça uma revolução acontecia”, recorda apontando que se recordou que ali tinha entrado como aluno, ali se tinha formado, tido o seu primeiro emprego com carteira profissional, sido membro do conselho diretivo e entretanto convidado para representar Portugal naquela data.

Já reformado, mas com a vida organizada no Brasil onde tem a esposa e o filho, a irmã e os sobrinhos, diz já não almejar viver em São Brás de Alportel de forma permanente. Mas vai continuar a visitar a sua terra natal, os familiares e amigos sempre que lhe seja possível. Nos tempos livres, gosta de fazer trabalhos artísticos em pedra mármore.

No coração leva consigo as tradições são-brasenses como a Procissão da Aleluia, as Charolas, as danças de folclore, as quermesses, entre outras.

As novas tecnologias têm vindo a permitir o contacto com memórias da sua infância e juventude em São Brás de Alportel e até recuperar contacto com alguns amigos. 

 

 

 


Viaje pelo mundo à descoberta dos são-brasenses, em www.cm-sbras.pt

Texto: Sofia Silva – Gabinete de Comunicação / Coordenação: Marlene Guerreiro

Caso deseje participar nesta iniciativa, contacte-nos: 289 840 019 / municipe@cm-sbras.pt