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Foto Studio Arranita

Este mês descemos até ao coração da nossa vila… e entramos no n.º 31 e 33 da Rua Gago Coutinho para nos deliciarmos por uma loja com História que guarda a Memória de todos! Marcámos encontro com a simpática Maria Emília Guerreiro que nos conta a história do Foto-Studio, vulgarmente conhecido em São Brás de Alportel por “O Arranita”, em memória de João Nonnato do Ó Arranita, que foi proprietário deste estúdio por mais de seis décadas.

Maria Emília conta-nos que antes de acolher o estúdio de fotografia, esta loja abriu as suas portas como loja de roupa do senhor Machado e também foi um talho que teria muita afluência dada a suaMultimédia0 proximidade do Largo do Mercado.

Há cerca de 60 anos, o estúdio de fotografia abriu ao lado do atual restaurante “O Ysconderijo” e era propriedade do senhor Manuel. Poderá ter sido o primeiro estúdio fotográfico de São Brás de Alportel, embora já anteriormente, outras pessoas se tivessem aventurado pelo ofício da fotografia.

Nessa altura, João Arranita tinha um stand de automóveis novos em Olhão, de onde era natural.

Negócio exigente que o obrigava a viagens constantes para ir buscar as viaturas e que acabou por vender. Um homem muito talentoso, que sabia pintar e desenhar muito bem, fazia maquetes em barro de mar e era apaixonado pela fotografia.

Maria Emília recorda que a ideia de abrir um estúdio de fotografia foi sugerida por amigos que conheciam a sua dedicação e talento para esta arte. O seu primeiro estúdio abriu ainda em Olhão, mas acabou por vir dedicar-se ao estúdio em São Brás de Alportel e deixou o de Olhão.

Com problemas de saúde e para evitar a tuberculose, foi aconselhado pelos médicos a morar em São Brás de Alportel por causa dos bons ares que eram afamados. Estes problemas de saúde acabaram por lhe suscitar grande interesse pela medicina e pelo naturismo, tendo “construído” uma biblioteca interessante na área da medicina natural e da medicina convencional.

Durante mais de meio século, foi o fotógrafo de referência em São Brás de Alportel, sendo por isso muito conhecido em todo o concelho, participando tanto em eventos públicos como particulares para fazer registo de momentos marcantes.

Era casado com Florinda da Conceição que era conhecida por ser de trato fácil e muito amiga de ajudar. Não percebendo de fotografia, era quem ajudava a pessoa que ia ser fotografada a colocar-se na melhor posição. Maria Emília acabaria por completar esta família quando tinha apenas 12 anos. Natural de Almodôvar, cedo saiu da casa dos pais para trabalhar como ama dos netos do Dr. Porto. Entretanto surge a oportunidade de ir trabalhar com o Sr. Arranita que tinha muito trabalho. “A primeira coisa que me disseram foi: você agora é da família. Não precisa de farda”, recorda Maria Emília que inicialmente ajudava a cortar fotografias.

Aos poucos começou a aprender a lavar e secar as fotos. Mais tarde, aprendeu a revelar e a retocar as fotografias e começou a fazer reportagens de casamentos e batizados.

“São momentos que não se podem repetir, é complicado e é uma grande responsabilidade”, explica recordando que tudo aconteceu antes da época das fotografias digitais. Chegaram a fazer o registo de 8 batizados num só dia!

O Foto-Studio era o local de revelação de fotografias, onde as pessoas tiravam as fotografias para documentos ou retratos, onde se compravam máquinas fotográficas, rolos, molduras, álbuns e outros acessórios. Também alugavam máquinas. “No dia de maio, as máquinas esgotavam todas porque as pessoas queriam tirar fotos no campo”, recorda Maria Emília acrescentando que muitas dessas máquinas foram doadas ao Museu do Traje.

A chegada da imagem digital teve um grande impacto no negócio e só mais recentemente surgiu concorrência no concelho.

João Arranita morreu em 1999, aos 91 anos. Manteve-se ativo tanto quanto possível praticamente até ao fim da sua vida, tendo contado sempre com o apoio inquestionável de Maria Emília que ainda hoje mantem o estúdio praticamente intacto. Apesar de já não ter a porta aberta, o estúdio continua a suscitar muita curiosidade, particularmente dos turistas que passam pelo Centro Histórico. Muitos batem à porta e pedem para visitar este espaço onde ainda se podem encontrar as fotografias de muitos são-brasenses. Maria Emília costuma reabrir as suas portas na Recriação Histórica. Em retrospetiva, diz que a menina de 12 anos que entrou no estúdio para trabalhar nunca havia sonhado ser fotógrafa, mas que a profissão a cativou e que trabalhou sempre de alma e coração.

Não perca esta rota e descubra estes espaços tradicionais que fazem parte da nossa História! Pode descobrir mais no sítio do município em www.cm-sbras.pt

Textos: Sofia Silva / Marlene Guerreiro

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