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Tesouros da Serra, de Fátima Galego

Este mês fomos até ao sítio do Tesoureiro onde M.ª de Fátima Galego fundou a Doçaria “Tesouros da Serra” em agosto de 1981, já lá vão 4 décadas!

Natural da Cova da Muda, prosseguiu estudos no liceu de Faro, onde tirou o curso de contabilidade, mas já nessa altura gostava de fazer bolos.

Conta-nos que após a descolonização, os portugueses que retornaram a Portugal ocuparam muitas das vagas de emprego no país e, como tinha gosto pela doçaria, começou a fazer os primeiros bolos, ainda que contra a vontade da família.

Quando a filha nasceu, amigos e familiares que a visitavam ofereciam muitos pacotes de açúcar. Fátima aproveitou a oportunidade para fazer bolos!

Na época, o fabrico de bolos em São Brás de Alportel estava a cargo da esposa do Sr. José Reis, na zona das Mealhas, Teresa Neves, de São Romão, e a saudosa Maria José, conhecida como “Maria José dos Bolos”.

Fátima começou por fazer sobremesas à base de chantilly. Comprava os pré-preparados a empresas que depois lhe davam formação para aprender a fazer sobremesas que vendia em restaurantes. Revela-nos que gostava de dar sempre o seu toque de criação pessoal aos produtos. As encomendas começavam a chegar de restaurantes e de particulares e logo começou também a vender para os supermercados “Modelo” e teve de arranjar ajuda. Contratou Valentina Miguel e Mónica Guerra, que mais tarde acabaram por abrir os seus próprios espaços de fabrico no concelho.

Para se diferenciar dos produtos que as suas antigas funcionárias faziam, recuperou receitas tradicionais da avó. Receitas que dão primazia à amêndoa algarvia, ao figo, à alfarroba, à laranja, ao limão e ao mel. Foi a primeira doceira a fazer doçaria com alfarroba, aliás ainda hoje é conhecida pelo Bolo de alfarroba, mas também pelo Morgado da Serra do Caldeirão, Bolo da Avó, Bolo de figo com amêndoa, Bolo misto Algarvio, e ainda pelos Bolos para Chá e saborosas bolachas de mel, alfarroba e figo, entre outros Tesouros da Serra.

Atualmente, diz que se diferencia também da concorrência pelos seus doces sem glúten, fabricados com gorduras não hidrogenadas, feitos com produtos naturais, sem corantes nem conservantes. “Bolos originais que têm passado de geração em geração”, sublinha.

Mais do que um negócio, a fábrica Tesouros da Serra é uma herança de família onde se percebem as influências árabes e romanas, recheado de saberes antigos, como é o caso do Licor de Alfarroba, um produto da sua exclusividade.

Os produtos são vendidos em diversos pontos do país e também ultrapassam as fronteiras nacionais. Ao Tesoureiro, chegam turistas de países como a Holanda, a Alemanha ou mesmo os Estados Unidos.

Consoante a época, tem entre cinco a seis funcionários, e conta com a ajuda do filho que trabalha na empresa.

Trabalho não falta, já os funcionários é outra conversa. Esta é uma das dificuldades que sente atualmente. Projetos de futuro, tem vários. Mas como o segredo é alma do negócio, prefere deixar a sua revelação para a altura certa!

 

 

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Textos: Sofia Silva / Marlene Guerreiro

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