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Papelaria A Eneida

Multimédia0Este mês subimos a Avenida da Liberdade, até ao nº7A onde há 46 anos Virgílio Fernandes e Eduarda Tomé fundaram a Papelaria A Eneida.

Virgílio nasceu em Anadia (Aveiro) e Eduarda era natural de Stª Catarina da Fonte do Bispo. Começaram a construir a sua vida juntos em Angola, mas a Revolução de 1974 ditou o seu regresso a Portugal. Sem grandes recursos, aceitaram o convite para viver com familiares em São Brás de Alportel.

Virgílio arranjou trabalho em Faro, mas rapidamente decidiu abrir uma papelaria por conta própria. Com uma localização competitiva, o espaço foi arrendado a Joaquim Alcarias, pai de Mª Salomé Rodrigues (conhecida como Menina Salomé). Na altura, só existia uma outra papelaria na vila: a “Papelaria Avenida”, do saudoso Mestre Afre.

Tendo o mesmo nome do autor da épica obra “A Eneida”, Virgílio decidiu dar o nome da obra à sua papelaria. Descrito por familiares e amigos como homem culto, habilidoso e sportinguista ferrenho, Virgílio construiu ele próprio o balcão principal da papelaria. Aí começou a vender jornais e revistas. Mais tarde, somou a zona de bazar onde vendia louças, material escolar, cosméticos, postais, brinquedos, entre outros produtos. E posteriormente, conseguiu autorização para vender o totobola e o totoloto, e mais recentemente para o euromilhões.

“Era mesmo um bazar, tinha tudo!”, recorda a filha Célia Martins sublinhando a exigência do negócio que abria 7 dias por semana, com exceção do domingo à tarde, que usavam para limpezas e remodelações. Abriram das 8h00 às 20h00 e apenas fechavam a porta a 25 de dezembro e a 1 de janeiro, recorda-se bem.

Multimédia1O negócio atingiu o pico nas décadas de 80 e 90, antes da chegada das grandes superfícies comerciais. O início do ano letivo e o Natal eram épocas particularmente agitadas. A neta Lara Madeira conta que cresceu na papelaria e recorda-se de fazer embrulhos para os clientes na altura do Natal.

Ali, os turistas compravam “toneladas” de postais, jornais estrangeiros e louças típicas de vários locais de Portugal.

Ainda sem sonhar que um dia iria gerir a papelaria, Lara recorda um dia em que, por brincadeira, começou a vender jornais ao balcão com o avô. Os clientes acharam piada. No final do dia, o avô deu-lhe 500 escudos e disse-lhe: “Foi pelo trabalho de hoje”.

A saudosa Eduarda simbolizava para muitos o espírito hospitaleiro, simpático e sorridente da papelaria, enquanto Virgílio recebia a visita de amigos com quem convivia e falava ferverosamente sobre futebol.

A papelaria manteve-se ao longo dos anos sob a liderança do casal, a colaboração de vários funcionários, entre os quais, a filha Célia.

Abriram uma segunda loja perto do Mercado Municipal entre 1988/89, mas os clientes já estavam habituados à loja frente ao Cineteatro e “A Eneida 2” acabou por fechar.

Em 2011, questões de saúde levam o casal a retirar-se e a passar o negócio à neta. Lara aguentou o exigente negócio até 2017, altura em que desafiou Angelina Custódio a ficar com a papelaria. Angelina trabalhava na vizinha Papelaria Avenida há já 29 anos. Ali trabalhou e acumulou Multimédia2boas recordações. Mas o convite de Lara foi irrecusável. Formou sociedade com a amiga Fernanda Lourenço e abriu portas no início de 2018.

A mudança de gerência acabou por coincidir com as obras de requalificação da Av. da Liberdade e depois veio a pandemia. Angelina diz que tiveram de se adaptar e implementar regras de segurança, mas só fecharam portas por um mês.

Procura ter à venda livros sobre São Brás de Alportel e autores são-brasenses e, de vez em quando, dedica-lhes a montra e diz que “a experiência tem sido muito boa”.

 

 

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Textos: Sofia Silva / Marlene Guerreiro

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