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Os Fornos de Cal

Seguimos a nossa viagem, por Vales da Memória, em busca do Património Industrial e Técnico, uma riqueza enraizada na história e na vida das gentes de São Brás de Alportel.

Pinceladas de um passado cada vez mais distante, os Fornos de Cal são parte do património industrial são-brasense. Outrora eram uma presença constante na paisagem, hoje poucos se impõem no horizonte, simples “ruínas», onde repousam histórias de outros tempos…
Não se sabe quando terão sido construídos, ou quando terá tido inicio este tipo de exploração mas os fornos de cal terão cessado a sua produção, provavelmente, em meados do século XX. No início do século ainda existiam “meia dúzia de fornos de cal, em funcionamento”, e muitos mais encontravam-se em ruínas. A cal era vendida à arroba (15kg), junto dos fornos em laboração e em dois depósitos então existentes para o efeito, na Vila (LOURO, 1996: 146-7). Os fornos de local eram obras exigentes na sua construção, mas os registos bibliográficos que deles temos são surpreendentemente
reduzidos. Habitualmente localizavam-se próximo das explorações de pedra calcária e é comum terem sido explorações do tipo artesanal, funcionando, preferencialmente, segundo a tradição familiar, através das várias gerações.
A rocha era extraída através da exploração de jazidas de calcário e, posteriormente levada aos fornos para calcinação (cozedura), sendo a lenha o combustível normalmente utilizado. O processo durava cerca de uma semana e depois de cozido, o calcário era arrefecido e desenfornado, passando a designar-se por óxido de cálcio ou cal viva. Não temos dados acerca da relevância deste setor na economia local de então, mas sabemos da importância socio cultural que ao longo de gerações a Cal, dadas as suas propriedades, desempenhou, com grande expressão ainda hoje nos aglomerados rurais.