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Medronho na História

Medronho na História

Seguimos a nossa viagem, por Vales da Memória, em busca do Património Industrial e Técnico, uma riqueza enraizada na história e na vida das gentes de São Brás de Alportel.


A descoberta da destilação perde-se no tempo!...
Cerca do ano 1000 a.C., a destilação já seria do conhecimento dos Gregos, e em 200 a.C. é atribuída aos Romanos a capacidade de fermentar e destilar. A destilação dos frutos fermentados em alambiques de cobre ter-se-á expandido na bacia mediterrânica a  partir do Egipto, nos séculos II e III. Mas foram os Árabes que deram o nome álcool ao líquido obtido por destilação, sendo que o seu uso limitava-se na época apenas a fins medicinais!

O alambique artesanal (do árabe al ambiq) é um engenho que nos foi legado pelos árabes, sendo ainda hoje usado no Algarve, tendo mantido as mesmas caraterísticas daquele que foi difundido nos séculos IX-X.

Só em 1892 é, pela primeira vez, referida em documentos oficiais a mais antiga e genuína aguardente produzida no Algarve – aguardente de medronho – referindo-se apenas que estava isenta de imposto! 
No que ao atual território do concelho de São Brás de Alportel diz respeito, sabe-se que, no início do século XX, a faina de recolha do medronho tinha uma importância socioeconómica relevante. 

Segundo Estanco Louro (1996: 423) A apanha do medronho é outra fonte de receita fornecida pela serra aos algarvios (habitantes do  barrocal). É uma azáfama para homens, mulheres e crianças. A face da serra é toda percorrida, esquadrinhada, por numerosos bandos de gente maltrajada. As mulheres vestem calças, para melhor poderem percorrer o mato, as calças velhas, rasgadas ou remendadas… As medronheiras são buscadas por tôda a gente, com entusiasmo febril, com emoção, porque um descuido, um atraso representa uma diminuição do ganho, ali pela tarde, na caldeira (armazém de destilação e de compra de medronho) lá
mesmo na Serra, num ou noutro monte. 

Atualmente a aguardente de  medronho continua a ser um dos produtos locais de excelência.

Texto: Angelina Pereira