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A Arte do Abegão

Em tempos recuados, as hoje tradicionais carroças algarvias, puxadas por muares, faziam parte da estrutura socioeconómica rural da região e eram produzidas pelo abegão. Esta era uma profissão de grande importância, produzindo meios de transporte de pessoas e cargas, sendo a sua expressão artística revelada nos desenhos e nas cores das carroças. 
O abegão reunia o conhecimento de duas atividades distintas: a de carpinteiro e a de ferreiro, sendo toda a estrutura construída em madeira, mas os eixos, as molas, ou o travão feitos em ferro, tal como o é o aro que reveste e dá resistência ao rodado. No sítio dos Vilarinhos terão existido vários abegões. Esta terá sido uma indústria importante no concelho e, simultaneamente, prestigiada. A carroça era o tipo de carro mais popularizado pois partilhava com o homem das fainas agrícolas, transportando-o, bem como às alfaias e os produtos ou mercadorias!
Geralmente eram decoradas com pinturas de cores vivas! As cores predominantes eram o verde, o amarelo e o vermelho, mas cada construtor dava o seu cunho pessoal às carroças, permitindo, facilmente, identificar o seu construtor. O garrido das carroças, no qual o verde era a cor base, com o arranjo dos animais que as puxavam (albardas, molins e arreios) tinham um certo requinte!
De salientar que existiam diversos tipos de carroça, como por exemplo: a carroça de fretes, a carroça de carga, a carroça de trabalho, a carrinha da água, e a charrete, a qual era considerada um luxo e sinónimo de abastança, esmerando-se os abegões na perfeição com que as construíam! Hoje, com o uso generalizado do automóvel, as típicas carroças algarvias de tração animal estão praticamente extintas, como desaparecida está a profissão de abegão! 

Algumas destas carroças podem ser apreciadas no Museu do Trajo. Em homenagem a este ofício foi atribuída recentemente à Rotunda poente da Variante Sul a designação  de Rotunda dos Abegões. 

Texto: Angelina Pereira