Nesta viagem foram usados 3 hidroaviões Fairey III D, pertencentes à Aviação Naval, o último dos quais, o “Santa Cruz”, está representado neste monumento.
A Travessia ligou Lisboa (Portugal), Las Palmas (Canárias), S. Vicente e S. Tiago (Cabo Verde), e os Penedos de S. Pedro e S. Paulo, Fernando de Noronha, Recife, Bahía, Porto Seguro, Vitória, e Rio de Janeiro (Brasil).
Sacadura Cabral foi o único piloto durante toda a viagem. As duas etapas mais longas duraram, cada uma, cerca de 11 horas.
Gago Coutinho concebeu um método de navegação astronómica de precisão pioneiro, e os respetivos aparelhos: um sextante com um nível artificial, e um corretor de rumos. Foram ainda elaborados mapas especiais, e realizados (antes da viagem) cálculos astronómicos pré-preparados para pontos específicos de cada etapa.
Foi esta confiança nos métodos astronómicos de Gago Coutinho que lhes permitiu encontrar, no meio do mar, os Penedos de S. Pedro e S. Paulo (pequenos rochedos com uma extensão de 250 m), após uma etapa de 1652 km, sobre o Atlântico, sem qualquer ajuda exterior. Nenhum dos aviões estava equipado com rádio.

A Travessia de 1922 ligou 4 países, 3 continentes e 2 hemisférios, e coincidiu com o 1º centenário da Independência do Brasil.
A UNESCO inscreveu o Relatório da 1ª Travessia Aérea do Atlântico Sul, no Registo da Memória do Mundo, a 27 de Julho de 2011, que, a partir desta data, é considerado Património da Humanidade.
Texto: João Moura Ferreira – Associação Lusitânia 100
… A grande viagem havia começado no dia 30 de março de 1922, quando Gago Coutinho e Sacadura Cabral partiram de Lisboa a bordo de um hidroavião monomotor Fairey III-D modificado, ao qual foi dado o nome de Lusitânia. Na corajosa aventura Sacadura Cabral era o piloto e Gago Coutinho o navegador, que criou um método completamente novo de navegação aeronáutica astronómica de precisão. Desenvolveu também um modelo de sextante com horizonte artificial para a medição da altura dos astros e inventou ainda o corretor de rumos. Este método de navegação astronómica revolucionou para sempre a navegação aérea.
A bordo do Lusitânia, realizaram nas Ilhas Canárias e no arquipélago de Cabo Verde, onde voaram até aos Penedos de São Pedro e de São Paulo, em pleno Atlântico Sul. O mar revolto causou danos na aeronave durante a amaragem. A viagem foi depois retomada a partir da Ilha de Fernando de Noronha, a bordo de um segundo hidroavião, enviado pelo Governo Português.
Mas uma nova fatalidade abateu-se sobre estes valentes aeronautas: uma falha no motor obrigou-os amarar de emergência e deixou-os náufragos, durante horas, até serem resgatados por um cargueiro inglês.
Reconduzidos a Fernando de Noronha, só a 5 de junho, retomaram viagem a bordo de um novo Fairey III-D (n.° 17), transportado de Portugal e batizado pela esposa do então Presidente do Brasil, Epitácio Pessoa, como Santa Cruz. O hidroavião levantou então voo rumo a Recife, fazendo escalas em Salvador da Bahia, Porto Seguro, Vitória e alcançou a baia de Guanabara, no Rio de Janeiro, a 17 de junho de 1922, onde foram recebidos com enormes manifestações de júbilo popular.
Em 1922 comemorou-se também no Brasil o primeiro centenário da sua independência. Esta comemoração foi também uma das razões que motivou esta viagem.