Site Autárquico São Brás de Alportel

Artefactos arqueológicos

Quisemos abrir a pesada porta do Passado e revelar o Tesouro Arqueológico de São Brás de Alportel, com a colaboração do Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal, sediado no Centro Explicativo e de Acolhimento da Calçadinha.

  • Ataifor [tigela]

    Fragmento de fundo de ataifor (tigela) islâmica, em cerâmica vidrada, com decoração a manganês – Louça de Mesa.
    Época islâmica: século X-XI
    Proveniência: Cerro da Mesquita 1 (São Brás de Alportel)

    No Centro Explicativo e de Acolhimento da Calçadinha encontram-se patentes ao público 2 fragmentos de fundo de tigela islâmica dos quais destacamos o que integra a mostra de materiais arqueológicos encontrados no concelho, durante os trabalhos de prospeção arqueológica realizados em 2002.
    Uma das grandes inovações dos muçulmanos foi a colocação de vidrado nas peças cerâmicas, tornando-as impermeáveis e mais coloridas. A impermeabilidade conseguida através da técnica da vidragem permitia uma maior duração daqueles objetos.
    Os muçulmanos tinham cerâmicas para armazenamento de alimentos sólidos e líquidos, para cozinhar e para ir à mesa. Incluem-se, com o nome genérico de tigelas ou malgas vidradas, um conjunto de formas abertas que podiam, as maiores, servirem como travessas para colocar a comida na mesa.
    As de menor dimensão, utilizar-se-iam também como pratos individuais ou, ainda, como pequenas tigelas ou taças, para colocar acepipes na mesa, nomeadamente passas de uva ou outros frutos secos.
    Entre as peças de uso exclusivo de mesa indicam-se particularmente as formas abertas com superfícies vidradas e fundos de pé anelar. Os bordos e perfis do corpo são bastante variáveis e têm, quase sempre, decoração na superfície interna.
    Os muçulmanos deixaram uma influência tão grande nos hábitos e na forma de viver das populações que, ainda hoje, podemos encontrar peças de cerâmica com formas iguais às formas criadas pelos muçulmanos.

     

  • Ara Funerária

    Época romana
    Proveniência: São Romão
    Os Romanos enterravam os seus mortos segundo um dos dois ritos da sua época: a incineração (cremação) ou a inumação (enterramento simples).
    As lápides de pedra, onde se escreviam os epitáfios, eram colocadas junto das sepulturas para que o morto fosse perpetuado, embora nem todas fossem assinaladas com um epitáfio em pedra. Nestas lápides (aras, cipos, cupas ou estelas) inscrevia-se o nome, a filiação e a idade do defunto. Não raras vezes, surgem associadas a fórmulas fúnebres: Diis Manibus sacrum (consagrado aos deuses Manes - protetores da família), Hic Situs(a) est (aqui jaz), Sit Tibi Terra Leuis (que a terra te seja leve).
    A ara apresentada (Inscrições Romanas do Conventus Pacensis (IRPC) nº 64) apresenta uma decoração única no Conventus Pacensis: pátera, jarro (objetos para abluções rituais), especialmente no que concerne ao crecsente. O qual documenta “o culto da Lua, morada dos mortos” (ENCARNAÇÃO, 1999, 113). Neste momento esta ara encontra-se no Museu Nacional de Arqueologia.

    TRANSCRIÇÃO: “Consagrado aos Deuses Manes. A Cecília Marina, filha de Lúcio, ossonobense, de oitenta e cinco anos. Aqui jaz. Que a terra te seja leve.” (ENCARNAÇÃO, 1984, 112-114).

    Aventure-se pelo conhecimento da História de São Brás de Alportel. Lançado recentemente o livro “Breve História de São Brás de Alportel”, de autoria de Angelina Pereira é um excelente guia nesta viagem”.
    Procure-o no Centro, no Gabinete do Munícipe da Câmara Municipal, no Centro de Artes e Ofícios ou na Biblioteca Municipal.


     

  • A telha

    Fragmento de telha com decoração digitada – Material de construção.
    Dimensões: Comp. Máx. 830mm; Larg. Máx. 750mm
    Proveniência: Bengado 1 (São Brás de Alportel)
    Cronologia: Época islâmica

    Na Sala de Exposição Permanente do Centro Explicativo e de Acolhimento da Calçadinha encontram-se patentes ao público 5 fragmentos de telhas com decoração digitada, dos quais destacamos este fragmento [na imagem], que integra a mostra de materiais arqueológicos encontrados no concelho, durante os trabalhos de prospeção arqueológica realizados em 2002.
    O barro, modificado pela ação do Homem, admite uma enorme variedade de formas e, consequentemente, de funções que o assistem e acompanham quotidianamente, preservando-se sempre e paralelamente como uma arte – a arte islâmica.


    A telha de canudo foi muito difundida durante o período islâmico.
    A telha é um material de construção, tipicamente feita em cerâmica e era, como ainda hoje, utilizada na cobertura de casas e outras edificações para evitar infiltrações de água ou vento, resistindo, assim, às intempéries. Atualmente, embora com variantes formais, ainda se empregam com o nome de “telha mourisca” ou “árabe”, e continuam a ser produzidas nos telheiros locais de São Brás de Alportel.


    Sabia que…

    > Era através do pátio, aberto no interior da casa, que entrava a maior parte da luz, porque a casa islâmica tinha poucas e reduzidas janelas para o exterior?
    > O invento das telhas atribui-se a Kiniras, antigo rei do Chipre?

    Aventure-se pelo conhecimento da História de São Brás de Alportel. Lançado recentemente o livro “Breve História de São Brás de Alportel”, de autoria de Angelina Pereira é um excelente guia nesta viagem”.


    Procure-o no Centro, no Gabinete do Munícipe da Câmara Municipal, no Centro de Artes e Ofícios ou na Biblioteca Municipal.

    Investigação realizada pela técnica superior de arqueologia, coordenadora do Centro, Angelina Pereira.

    Mais informações: http://www.cm-sbras.pt e http://www.calcadinha.cm-sbras.pt

  • Cerâmica Vidrada
    Cerâmica Vidrada

    Época islâmica – Século X-XI (?)

    Proveniência: Cerro da Mesquita

    Fragmento de fundo de ataifor (tigela)

    em cerâmica vidrada de cor melada com decoração a manganês – Louça de mesa.

     

    A cerâmica constitui o vestígio mais abundante deixado pelas distintas civilizações desde o Neolítico, e tem sido considerada, desde os inícios da investigação arqueológica, como um dos mais importantes indícios para datar qualquer estação arqueológica.

    A grande novidade introduzida pelo mundo islâmico, no âmbito da cerâmica, foi a difusão das técnicas de vidragem. Apesar de terem começado a ser produzidas no século IX, é no século X que se constata a grande difusão do vidrado por todo o território al-Andaluz e se desenvolvem rapidamente as técnicas de vidragem com combinações bicromáticas (duas cores) e policromáticas (múltiplas cores).

    As combinações bicromáticas mais frequentes apresentam fundos cor de mel ou brancos nos quais se desenvolvem motivos geométricos em preto/castanho manganês. Os motivos consistem em combinações de círculos e arcos, tangentes ou secantes, temas epigráficos ou pseudo-epigráficos e representações esquemáticas de flores de Lotus e palmetas.

    A combinação utilizando o “melado e manganês” foi a que teve maior difusão e persistência no al-Andaluz (século X ao XVI).

    As tigelas ou malgas vidradas incluem-se num conjunto de formas abertas que poderiam servir como travessas para colocar a comida na mesa (as maiores); ou ser utilizadas também como pratos individuais (as menores) ou, ainda, como pequenas tigelas ou taças, para colocar acepipes na mesa, nomeadamente passas de uva e outros frutos secos, que eram muito utilizados na época.

    Na Sala de Exposição Permanente do Centro Explicativo e de Acolhimento da Calçadinha encontram-se patentes ao público dois fragmentos de cerâmica vidrada melada com decoração a manganês, dos quais destacamos este fragmento [na imagem], que integra a mostra de materiais arqueológicos encontrados no concelho, durante os trabalhos de prospeção arqueológica realizados em 2002.

     

    Sabia que…?

    A cerâmica é considerada o reflexo de muitas outras faces de uma cultura: os hábitos alimentares e do quotidiano, a engrenagem económica de uma sociedade, a evolução tecnológica, o imaginário e horizonte simbólico dum povo e até, a expressão de vontades políticas?

     

    Aventure-se pelo conhecimento da História de São Brás de Alportel. Lançado recentemente o livro “Breve História de São Brás de Alportel”, de autoria de Angelina Pereira é um excelente guia nesta viagem”.

    Procure-o no Centro, no Gabinete do Munícipe da Câmara Municipal, no Centro de Artes e Ofícios ou na Biblioteca Municipal.

     

    Investigação realizada pela técnica superior de arqueologia, coordenadora do Centro, Angelina Pereira.

    Mais informações: http://www.cm-sbras.pt e http://www.calcadinha.cm-sbras.pt

  • Ânforas Romanas

    >Fragmento de fundo de ânfora romana

    >Fragmento de fundo de ânfora romana – Contentor de transporte e armazenamento.

    Época romana

    Proveniência: Vale do Joio (São Brás de Alportel)

     

     

    As Ânforas

    Fazem parte do espólio do Centro Explicativo e de Acolhimento da Calçadinha cinco fragmentos de fundos de ânforas da época romana que integram a mostra de materiais arqueológicos encontrados no concelho, durante os trabalhos de prospeção arqueológica realizados em 2002.

     

    As ânforas eram grandes recipientes cerâmicos, de formas diversificadas, providas de um colo estreito, mais ou menos alongado, duas asas simétricas e, quase sempre, com o fundo rematado por um bico alongado.

    Estes artefactos constituem um precioso indicador para o estudo das trocas comerciais na Antiguidade.

     

    As ânforas eram utilizadas na Antiguidade para o transporte e armazenamento de géneros de consumo, tal como os preparados de peixe (garum); para conter líquidos, especialmente o vinho; e também serviam para conter azeite, azeitonas em conserva, frutos secos, cereais, entre outros produtos.

     

    As ânforas que se encontram no atual território português podem dividir-se em duas grandes categorias: as que foram produzidas localmente e que se destinavam a transportar os produtos que essa região exportava; e as que foram importadas de diferentes lugares do Império Romano.

     

     

     

    Sabia que…

    A maioria das ânforas tem o fundo em bico para facilitar a arrumação nos barcos que as transportavam?

     

    Aventure-se pelo conhecimento da História de São Brás de Alportel. Lançado recentemente o livro “Breve História de São Brás de Alportel”, de autoria de Angelina Pereira é um excelente guia nesta viagem”.

    Procure-o no Centro, no Gabinete do Munícipe da Câmara Municipal, no Centro de Artes e Ofícios ou na Biblioteca Municipal.

  • Sigillata (cerâmica sigillata)

    Fragmento de bordo de taça, de terra sigillata sud-gálica, da forma decorada Dragendorff 37 (decorada com ovas duplas alternadas com linguetas) – Louça de mesa.

    Época romana – Séc. I d.C.

    Proveniência: Vale do Joio (São Brás de Alportel)

     

    Na Sala de Exposição Permanente do Centro Explicativo e de Acolhimento da Calçadinha, encontram-se patentes ao público quatro fragmentos de terra sigillata, dos quais destacamos este fragmento [na imagem], que integra a mostra de materiais arqueológicos encontrados no concelho, durante os trabalhos de prospeção arqueológica realizados entre 1999 e 2002.

     

    Na segunda metade do século I a.C., nos centros produtores de cerâmica fina (de mesa) romana, a cerâmica campaniense começa a dar lugar a uma nova produção cerâmica, a terra sigillata. Esta cerâmica caracteriza-se por possuir um «verniz» vermelho e brilhante, coloração obtida através da cozedura em atmosfera oxidante (deixando entrar oxigénio) que permitia, simultaneamente, obter a característica coloração vermelha e produzir o enrijecimento da sua pasta.

    Na maioria dos casos, esta cerâmica era fabricada a molde.

    O seu nome – terra sigillata – advém do facto dos seus produtores a marcarem com um sigillum (selo), impresso, geralmente no fundo da peça.

    Nestes selos, destinados à identificação das peças cozidas nos fornos, embora nem sempre presentes, pode ler-se o nome do ou dos oleiros que fabricaram as peças. Deste modo, e porque as peças eram empilhadas para serem cozidas, a peça marcada era apenas a primeira da pilha. Este facto explica porque a grande maioria das peças não ostentam marcas de oleiro.

     

    Este tipo de cerâmica – terra sigillata – costuma «dividir-se», grosso modo, considerando o local de produção em:

    a) terra sigillata itálica;

    b) terra sigillata sud-gálica;

    c) terra sigillata hispânica e

    d) terra sigillata clara (para as produções norte africanas).

  • Talhas (cerâmica campaniense)

    Fragmento de fundo de pátera (prato) em cerâmica Campaniense A, forma 5 – Louça de mesa.

    Época romana – Séc. II/I a.C.

    Proveniência: Vale do Joio (São Brás de Alportel)

     

    A cerâmica fornece-nos informações preciosas. A cerâmica fina, importada, que circulava por todo o Império romano, permite-nos saber a datação, o centro de produção (local onde era produzida) e de difusão (comércio). A sua distribuição e consumo permitem saber alguns aspetos da vida económica do mundo romano.

    Em São Brás de Alportel foram recolhidos 3 fragmentos de cerâmica Campaniense.

    Na Sala de Exposição Permanente do Centro Explicativo e de Acolhimento da Calçadinha, está patente ao público um fragmento de pátera (prato) de cerâmica Campaniense A, que integra a mostra de materiais arqueológicos encontrados no nosso concelho e de que poderá desfrutar aquando da sua visita.

    A cerâmica Campaniense, de tradição grega (cerâmica Ática), caracteriza-se por possuir um verniz negro e brilhante e foi produzida desde finais do século IV até finais do século I a.C.

    A cerâmica Campaniense pode ser considerada como a primeira cerâmica fina produzida na Itália romana. A sua designação provém do facto dos primeiros centros produtores desta cerâmica terem sido descobertos na Campânia, concretamente na região de Nápoles, mas também foi produzida na Etrúria e na Sicília.

    Pelas características técnicas que apresentam é possível distinguir as produções destes 3 centros entre si, fator que conduziu a diferenciá-los em 3 grandes classes, designadamente:

    1) Campaniense A, a produzida na Campânia, desde os finais do século IV a.C. até 40 a.C., e que apresenta uma pasta vermelha acastanhada e um «verniz» negro com reflexos metálicos avermelhados, acinzentados ou azulados. (6)

    2) Campaniense B, a produzida na Etrúria, a partir do 2º quartel do séc. II a.C., e que apresenta uma pasta de cor ocre ou cinzento claro e um «verniz» negro, sem reflexos metálicos. (2)

    3) Campaniense C, a produzida na Sicília (na região de Siracusa), nos séculos II e I a.C., e que apresenta uma pasta cinzenta clara e «verniz» muito negro, mas pouco aderente. (2)

  • Amuleto
    Amuleto 1

    Amuleto 1

    Época islâmica – Finais do século XI d.C. – inícios do século XII d.C.
    Dimensões: 4,9cm X 3,5cm
    Material: Chumbo
    Proveniência: Cerro da Mesquita 1 (São Brás de Alportel)


    No território de São Brás de Alportel, em prospeções arqueológicas, foram recolhidos 2 amuletos islâmicos, que pode conhecer no Centro da Calçadinha.

    Na civilização islâmica, herdeira das antigas experiências mediterrânicas e orientais, a evolução da alquimia intensificou o uso do chumbo. Os alquimistas islâmicos atribuíram-lhe, pois, três qualidades: divinatória, psíquica e terrestre (IBN KHALDUN, 1993: 440). Ou seja as mesmas qualidades que um amuleto pode simbolizar: tem um valor sagrado, causa a tranquilidade para o seu utilizador e representa uma fonte de sustento para várias pessoas (o calígrafo, o ourives e o comerciante).

    O suporte geralmente utilizado nos amuletos corânicos era o papel, sobre o qual um virtuoso homem de religião – faqîh (doutor) ou ualiy (santo) – escrevia versículos corânicos, escolhidos consoante a finalidade pretendida, do cliente, para o amuleto: contra o mau-olhado, a doença, a bruxaria, a inveja ou os demónios. Graças às suas vantajosas qualidades, o chumbo pôde substituir o papel, quer pelas suas características naturais e mágicas, quer pela sua grande profusão e durabilidade (em comparação com a do papel) e, por consequência, pelo seu baixo custo.

    Encimado pela expressão ritual “basmala”, o texto do Alcorão gravado neste amuleto corresponde ao versículo nº 18 que faz parte do capítulo II, intitulado “a Família de Imrân”. O conjunto é apresentado numa caligrafia muito elegante, correspondendo ao cúfico “magrebî”.


    Sabia que…
    Para conceber estes artefactos, o ourives recorria a um molde formado por duas placas retangulares, geralmente de ardósia, em cuja face, ou faces, se aplicam os textos e motivos simbólicos?

    Investigação realizada pela técnica superior de arqueologia, coordenadora do Centro, Angelina Pereira.

  • Mascarão de asa de sítula
    Mascarão de asa de sítula

    “Mascarão de asa de sítula“
    (pega de panela)

    Trata-se de um utensílio de cozinha, uma pega de panela pertencente à época romana, do Séc. IV d.C.
    Material: bronze
    Proveniência: Corte (São Brás de Alportel)

    Uma peça com quase 2000 anos de história, que hoje nos permite conhecer melhor os usos e costumes dos nossos antepassados!
    Os mascarões eram soldados a sítulas, isto é, a baldes ou caldeiros de metal, e serviam para enfiar as asas de suspensão (ALARCÃO, 1987:141).


    Investigação realizada pela técnica superior de arqueologia, coordenadora do Centro, Angelina Pereira.
    BIBLIOGRAFIA: ALARCÃO; Jorge de, (1987), Portugal Romano, 4ª Ed., Editorial Verbo, Lisboa.