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CineTeatro São Brás reabre portas com um cine-concerto que presta homenagem a Roberto Nobre

São Brás de Alportel na Rota do VideoLucem, do Programa Algarve 365

20 de fevereiro 2019

Após realizado um conjunto de trabalhos de manutenção e modernização de equipamentos, o CineTeatro São Brás reabre as suas portas, a 23 de fevereiro, com um cine-concerto, que sobe ao palco pelas 21h30. Trata-se de um espetáculo de cinema e música “Video Lucem  – Cine-concertos para descobrir o Algarve”, integrado no Programa Algarve 365. Na tela será exibido, entre outro, um filme “Charlotim e Clarinha” da autoria do são-brasense Roberto Nobre, numa homenagem a esta figura incontornável do cinema em Portugal, no ano do Cinquentenário da sua morte.O filme “Charlotim e Clarinha” trata-se de uma curta-metragem, um filme mudo rodado no Algarve, entre 1923 e 1925, inspirado nos filmes de Charlie Chaplin, e que estreou pela primeira vez no Festival de Santarém em 1972. Passados 50 anos da morte desta figura maior da história do cinema em Portugal, “Charlotim e Clarinha” volta a ser exibida, desta vez, na terra natal do seu produtor, e acompanhada ao vivo por Francisca Cortesão, Mariana Ricardo e Sérgio Nascimento.Nesta noite especial, o Video Lucem apresenta ainda os filmes “Enfer”, de Henri George-Clouzot (França, 1964, filme inacabado, 15′), acompanhado ao vivo por Bruno Pernadas, e a película “It’s All True”, de Orson Welles (EUA, 1943, filme inacabado, 40′), com acompanhamento ao vivo por acompanhados ao vivo por Bruno Pernadas, Margarida Capelo, Pedro Pinto e Luís Candeias.Os ingressos para este espetáculo estão à venda na Galeria Municipal e, no dia do espetáculo, na Bilheteira do Cineteatro, a partir de 20h30.A organização do Video Lucem propõe ainda a experiência CineCultural & Food Tour. Uma atividade que inclui uma visita guiada ao Centro Histórico de São Brás de Alportel, um jantar típico algarvio e que termina com o espetáculo Video Lucem – Cine-concertos para descobrir o Algarve.

 

 

 

 

 

ROBERTO NOBRE [1903-1969]Crítico de cinema, pintor, caricaturista, publicista, decorador, escritor, jornalista, crítico de literatura, ensaísta e crítico de cinema.José Roberto Dias Nobre nasceu em São Brás de Alportel, a 27 de Março de 1903, filho de Adelina Dias Sancho Nobre e do médico João da Silva Nobre, o “médico dos pobres”, como ficou conhecido, grande lutador pelo ideal republicano. Marca-o desde cedo gosto pela poesia do primo Bernardo de Passos e os dotes artísticos e intelectuais do tio José Dias Sancho. Da adolescência vivida em Olhão, colhe a influência das gentes do mar. Aos 19 anos parte para Lisboa, onde conhece as grandes correntes intelectuais da época e participa na tertúlia da Pastelaria Veneza, com Ferreira de Castro, Assis esperança, Manuel de Oliveira, Mário Dionísio, David Mourão-Ferreira, e tantos outros grandes nomes da cultura portuguesa da 1ª metade do século XX.Funcionário superior da Companhia Singer, durante 50 anos, Roberto Nobre é um eterno enamorado das grandes utopias, um homem apaixonado pelos ideias de uma geração de sonhadores; um artista contagiado pelo espírito do seu tempo, que não se fica pela superfície dos temas que pinta, escreve ou ilustra, mas vai à essência das coisas, que gosta de conhecer por dentro, como faz exemplarmente com o cinema.O TRAÇO…Roberto Nobre revelou desde cedo, o seu talento para o desenho. Foram as caricaturas satíricas a primeira expressão da sua arte. Do carvão ao guache e ao óleo, percorreu formas, traços e correntes, diferentes tempos de um génio multifacetado, inconformista e criador.Em 1922, publicou na revista Alma Nova um artigo seu de crítica de arte e de 1923 data a sua primeira exposição de caricaturas.Como artista plástico, é integrado na segunda geração modernista. No seu percurso artístico, ensaiou várias técnicas e estilos, mas é sobretudo como desenhador e ilustrador que a sua obra marca a história da arte em Portugal.De fino traço, fez caricatura e foi pioneiro na maneira séria de fazer cartazes. Fê-los para os melhores cinemas do país e apesar da repressão, não deixou de mostrar a sua arte em obras de crítica social.Roberto Nobre retratou os seus pares no cinema – como o pioneiro Aurélio da Paz dos Reis, os atores Adelina Abranches e Duarte Silva, ou Reinaldo Ferreira, Nascimento Fernandes, Jorge Brum do Canto e Manoel de Oliveira. Ilustrou dezenas de obras literárias, entre elas grande parte dos romances de Ferreira de Castro. Por amizade, desenhou capas para livros escritores seus comprovincianos, como Assis Esperança, Emiliano da Costa, Bernardo de Passos, Vicente Campinas e António Pereira, entre muitos outros.Grafista de qualidade e pioneiro do cartaz em Portugal, foi dos poucos da sua geração a utilizar a arte para exprimir revolta contra a injustiça social.A PENA…Roberto Nobre foi também um homem de letras. Escritor de grande mérito, crítico literário e ensaísta. Foi no jornal A Batalha que fez a sua estreia como jornalista, e veio a colaborar em diversas publicações, onde avultam nomes como República, Diário de Notícias, O Diabo, Primeiro de Janeiro e Comércio do Porto. Com breves passagens pela poesia, foi no ensaio que Roberto Nobre mais se destacou, com títulos como: Horizontes do Cinema, 1939; Shakespeare e o Cinema, 1941; Crítica e Autocrítica em Eça de Queirós, 1945; O Fundo: Comentários à Lei de Fundo do Cinema, 1946; Singularidades do Cinema Português, 1964; e Cervantes ou Ontem e Hoje com D. Quixote (obra póstuma), 1972. Na sua obra, encontram-se também contos, alguns deles publicados em jornais e revistas, muitos ainda inéditos.A maior parte do que escreveu, ao longo de quase 50 anos, encontra.se espalhado por numerosos jornais e revistas.O FILMERoberto Nobre foi sobretudo um homem do cinema, um apaixonado da sétima arte, da imagem que se move e representa mais fiel que nunca, a realidade.Durante mais de 30 anos, dedicou-se à crítica cinematográfica, no jornal O Diabo e na revista Seara Nova, identificando-se com a sua linha progressista.Colaborou intensamente nas revistas Ilustração, Civilização, Magazine da Bertrand, Vértice, Lusíada e Voga, assim como no Anuário Cinematográfico Português, entre dezenas de outras publicações.Reconhecido como o mais sério crítico de cinema de Portugal, a ele se deve a criação da Escola de Crítica de Cinema, no nosso país.Grande defensor do bom cinema português, foi conferencista e impulsionador do movimento cineclubista. Fez ainda uma incursão pelo cinema cómico, em conjunto com as irmãs. Aos 22 anos, realizou uma curta farsa, inteiramente rodada no Algarve, que deu o título de Charlotim & Clarinha, através da sua empresa, a Gharb-Film.O traço, a pena e o cinema; as artes gráficas, o ensaio e o cinema, três percursos que se encontram num só homem, firme combatente de ideais.Filho de um Algarve de inícios do século XX, o Algarve de Bernardo de Passos, João Lúcio, Carlos Porfírio, Bernardo Marques, Julião Quintinha, Assis Esperança e Júlio Dantas. BIBLIOGRAFIA: •    Oliveira, Manuel Alves; (1991), O Grande Livro dos Portugueses, Lisboa: Círculo de Leitores; •    Marreiros, Glória Maria; (2000), Quem foi quem? – 200 Algarvios do Séc. XX, Lisboa: Edições Colibri•    Cunha, Afonso; José Roberto Dias Nobre, texto policopiado, gentilmente cedido pelo autor•    Alves, Ricardo; Roberto Nobre, Uma vida por imagens, edição do Centenário do Roberto Nobre, Câmara Municipal de São Brás de Alportel, no prelo